A personalidade e feitos do jogador argentino que morreu na passada quinta-feira, dia 25 de novembro, serviram de inspiração para compositores de todos os estilos. O próprio Maradona, que se gabava de ser um bom dançarino, também passou pelos microfones com a popular dupla argentina Pimpinela.

"Arrisco tudo", afirmou sobre a sua ousadia musical, a mesma que exibiu no futebol e na vida.

Entre as muitas canções criadas para Maradona, nenhuma se tornou tão popular quanto a do falecido cantor Rodrigo Bueno, erguida como uma bandeira de fervor pelo futebolista. Sob o título "La mano de Dios", o tema é uma revisitação da vida do ídolo desde o seu nascimento no bairro pobre de Villa Fiorito, em Lanús, "privado de luz, água, tudo", como o próprio Maradona descreveu.

"En una villa nació/ fue deseo de Dios/ crecer y sobrevivir a a la humilde expresión" ("Numa vila onde nasceu/ foi desejo de Deus/ crescer e sobreviver à expressão humilde”), a canção começa com um alegre ritmo de quarteto, estilo musical dançante presente em qualquer festa popular na Argentina.

Do início ao futebol à glória, passando pelos vícios, a canção é um hino à vida de Maradona.

"Su sueño tenía una estrella/ Llena de gol y gambetas Y todo el pueblo cantó Marado, Marado/ Nació la mano de Dios/ Marado, Marado/ Sembró alegría en el pueblo/ Llenó de gloria este suelo" ("O seu sonho tinha uma estrela/ Cheia de golos e dribles/ E todo o povo cantava Marado, Marado/ Nasceu a mão de Deus/ Marado, Marado / Semeou alegria no povo/ Encheu este chão de glória", diz um dos mais excertos mais cantados da composição por Alejandro Romero do final dos anos 1990.

O próprio Maradona cantou o tema na primeira pessoa, algo que foi imortalizado num documentário de 2008 do sérvio Emir Kusturica.

Em "Maradona", o futebolista canta emocionado de olhos fechados numa festa familiar com as suas filhas Dalma e Gianinna, culminando numa comemoração. No filme, também se vê o espanhol Manu Chao cantar "La Vida Tombola", tema dedicado a Maradona.

Também o espanhol Joaquín Sabina, com o seu clássico "Dieguitos y Mafaldas", e o argentino Andrés Calamaro, com a sua canção "Maradona", prestaram homenagem musical à estrela do futebol.

O grupo de rock Los Piojos também imortalizou o jogador numa canção que o descreve como uma criança "que a los poderosos reta y ataca a los más villanos sin mas armas en la mano que un 10 en la camiseta" ("que desafia os poderosos e ataca a maioria dos vilões sem mais armas na mão do que um 10 na sua camisa").

Charly García também se inspirou na figura de Diego no seu "Maradona Blues", com Claudio Gabis, gravado em 1994.

"Yo ya no existo sin pasado/entre la oscuridad y la luz/ yo sé que existo en otro lado/ yo ya perdí el autobús como el Maradona blues" ("Já não existo sem passado/ entre a escuridão e a luz/ sei que existo noutro lado/ Já perdi o autocarro como o blues de Maradona", canta Charly numa canção que termina em lamento: "estoy llorando aquí por vos" ("estou chorando aqui por você), como os argentinos e o mundo choraram nos últimos dias.

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