O cantor e ator espanhol Patxi Andión morreu esta quarta-feira, dia 18 de dezembro, num acidente de viação em Sória, Espanha. O El País avança que o artista se despistou no seu Land Rover no quilómetro 59 da auto-estrada A-15.

Patxi Andión, que esteve exilado em Paris durante o Maio de 1968, escritor, ator, compositor e cantor, atuou regularmente em Portugal. Em 2017 o músico recebeu a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores. Na ocasião, em entrevista à agência Lusa, disse: “A minha relação com Portugal, a música e a língua portuguesas é de absoluto amor e uma paixão, que existe desde a década de 1960”.

Patxi Andión, de 72 anos, estreou-se em Portugal em 1969. O poeta José Carlos Ary dos Santos traduziu alguns dos seus poemas, que a cantora Tonicha gravou antes do 25 de Abril de 1974. Fausto, José Mário Branco, José Afonso e António dos Santos são alguns dos músicos portugueses que admirava.

Em março de 2017, em declarações à Lusa o músico madrileno, de ascendência basca, afirmou que sempre viu “Portugal como um território livre, sobretudo depois do 25 de Abril de 1974”. “Muito especialmente depois da Revolução dos Cravos, em que passei a sentir que, de facto, as pessoas gostavam francamente e compreendiam o que eu fazia”, disse.

Nos seus recitais em Portugal, afirmou o músico, faz sempre questão de incluir temas em português.

Além de temas de José Afonso (1929-1987), de quem foi amigo e que homenageou este ano em três espetáculos em Portugal, “Zeca no Coração”, Andión costumava incluir nos seus alinhamentos a balada “Minh’alma de amor sedenta”, do fadista António dos Santos (1919-1993).

“A minha relação com Portugal, a música e a língua portuguesas é de absoluto amor e uma paixão, que existe desde a década de 1960”, disse o músico na ocasião, numa entrevista à Lusa.

Patxi Andión estreou-se em Portugal em 1969, no programa televisivo “Zip-Zip”, de Raul Solnado, José Fialho Gouveia e Carlos Cruz. A sua relação com o regime ditatorial de então não foi fácil, tendo sido expulso pela PIDE, a polícia política do regime, várias vezes.

O poeta José Carlos Ary dos Santos traduziu alguns dos seus poemas, que a cantora Tonicha gravou, ainda antes da Revolução dos Cravos.

O primeiro concerto do músico espanhol em Portugal realizou-se a 29 de março de 1974, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a um mês do levantamento militar que levaria à queda da ditadura e poucos dias antes do I Encontro da Canção Portuguesa, da Casa da Imprensa, que desafiaria o regime com "Grândola, Vila Morena".

Segundo as crónicas jornalísticas da época, o coliseu esgotou para ouvir Patxi Andión.

Em 2007, participou no álbum “Para além da saudade”, da fadista Ana Moura, produzido por Jorge Fernando.

Em dezembro de 2013 apresentou o álbum "Porvenir", na Casa da Música e no Centro Cultural de Belém, em dois concertos esgotados. Este ano o autor de “Nos passarán la cuenta” atuou em Lisboa, Porto e Évora.

“La jacinta”, “…Y es mar”, “Com toda la Mar detrás”, “Um dos três”, “Canción Social”, “Cómo explicarte”, “El maestro”, "Si Yo Fuera Mujer" “Compañera”, “María”, “A Quién Importará”, “Desde que te Quiero” ou “Es Tan Difícil Dejar de Pensar”, são algumas das canções do repertório de Andión.

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