“Não se chama ‘de’ Almada, mas sim ‘em’ Almada, porque este é um projeto dos criadores, dos artistas. Queremos que tenha uma dimensão nacional para responder a um pedido. Há muito tempo que o setor da dança pede um espaço nacional onde tenham uma representação”, explicou a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS).

A autarca falava numa conferência de imprensa naquela que será provisoriamente a sede deste projeto, a Casa Municipal da Juventude – Ponto de Encontro, em Cacilhas, onde foi apresentada esta iniciativa do município, em parceria com o coreógrafo Paulo Ribeiro.

No total, serão cinco espetáculos realizados entre setembro e dezembro, iniciando-se já no próximo sábado com a mais recente obra de Clara Andermatt, que se junta ao pianista João Lucas em “Parece que o Mundo”, pelas 21:30, no Teatro Municipal Joaquim Benite.

Em parceria com a 27.ª Quinzena da Dança de Almada, os portugueses Jonas & Lander apresentam, a 22 de setembro, a peça “Adorabilis”, enquanto os polacos Polish Dance Theatre interpretam “The Harvest”, a 26 de setembro, uma peça sobre a natureza e a vida humana.

Também neste dia, mas no Fórum Municipal Romeu Correia, pelas 21:30, a Companhia Paulo Ribeiro apresenta “Memórias de Pedra. Tempo Caído”, uma reflexão sobre o imaginário português, construída a partir da sua diversidade.

Outro destaque, é a instalação “Box 2.0”, de António Cabrita e São Castro, que reproduz, em holograma, improvisações dos coreógrafos Clara Andermatt, Olga Roriz, Paulo Ribeiro e Rui Horta, entre 26 de outubro a 30 de novembro, no Fórum Municipal Romeu Correia.

“Este primeiro ano é de elaboração do projeto, mas desde o início que queríamos começar já a mostrar aquilo que pode ser”, referiu Inês de Medeiros, classificando a primeira programação como “feliz” e “interessante”.

Já o porta-voz deste projeto, Paulo Ribeiro, realçou que em todas as peças “há uma dimensão poética muito forte, com uma contemporaneidade que nos faz por imensa coisa em causa”.

Segundo o coreógrafo, a Casa da Dança é uma “vontade” que o “persegue há anos e anos”, sendo o que falta para dar dimensão à dança em Portugal, que “tem tido grandes atentados, porque nunca cresceu muito em relação aos apoios da tutela” e as companhias existentes “nunca se puderam autonomizar”.

Neste sentido, Paulo Ribeiro também tem a esperança que este projeto permita a criação de um arquivo sobre a dança no país.

“A dança portuguesa já começa a ir para uma meia-idade e não há memória. Tem de haver um arquivo. Nós não temos nada e eu próprio não sei onde estão algumas peças minhas”, advertiu.

A Casa da Dança em Almada está a dar os primeiros passos para criar e promover esta arte, mas tem já todos os objetivos definidos, incluindo a “grande ambição” de se tornar num projeto a nível nacional, contribuindo para a internacionalização da cultura, indicou Inês de Medeiros.

A autarca foi mais longe e adiantou que já pensam “num próximo espaço” e até num “projeto arquitetónico”.

“Temos duas possibilidades que estão ligadas ao projeto do Ginjal. Nas negociações com o promotor conseguimos incluir um espaço ao pé do Almaraz. Temos que conciliar uma casa da juventude e uma casa da dança, mas a questão mais complicada neste momento é com as instâncias nacionais. Uma coisa é construir, outra é garantir a continuidade”, frisou.

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