O evento agrega vários concertos, uma instalação sonora, uma sessão de debate, uma oficina e uma exposição, com o cartaz a incluir nomes como o norte-americano Ken Butler, o japonês Tomoko Sauvage, os franceses Toma Gouband e Lionel Marchetti, ou a israelita Meira Asher (na foto), entre outros.

O evento é uma “herança” do Co-Lab – Festival Internacional de Música Experimental, que teve cinco edições no Porto, entre 1998 e 2003, com a música experimental a voltar a ter um evento dedicado na cidade, 20 anos depois do ‘arranque’.

À Lusa, Gustavo Costa, que com Patrícia Caveiro dirige o Colexpla, explicou que o festival “tem grandes pontos de contacto com o Co-Lab”, organizado por Alberto Lopes, membro da associação, com Gustavo e outros músicos envolvidos na sua organização.

“Vinte anos depois, muitos de nós continuamos a trabalhar juntos, mesmo que em moldes diferentes. O Co-Lab trouxe nomes muito significativos da música experimental da altura, ainda para mais numa altura em que o Porto estava menos ativo”, acrescentou.

A programação orientou-se entre os “nomes mais históricos”, como os franceses Lionel Marchetti e Bertrand Denzler, mas também os valores emergentes, como as portuguesas Marta Ângela e Inês Castanheira ou Alfredo Costa Monteiro, “uma figura do Porto” que há vários anos reside em Barcelona.

Há ainda espaço para um nome “que talvez ultrapasse a música experimental, mesmo estando ligado”, a israelita Meira Asher, que sobe ao palco com Eran Sachs no dia 14, e que tem um “percurso musical brilhante”, embora seja também conhecida “pela posição política de crítica ao estado de Israel”.

Tomoko Sauvage atua na noite de 13 setembro, a mesma do Trio Sowari, que junta o britânico Phil Durrant ao alemão Burkhard Beins e ao francês Bertrand Denzler, enquanto o dia 14 se destina à colaboração entre Alfredo Costa Monteiro e o espanhol Miguel A. García, depois de uma atuação do francês Toma Gouband.

Antes, a primeira noite junta o músico e criador de instrumentos Ken Butler, com “Voices of Anxious Objects”, ao britânico Kaffe Matthews, que vai atuar com as portuguesas Diana Combo, Inês Castanheira e Marta Ângela, enquanto o artista sonoro russo ::vtol::, nome artístico do moscovita Dmitry Morozov, uma “figura de proa do ‘sound art’ internacional”, vai apresentar uma instalação sonora, “Driver”, e orientar uma oficina, nos dias 13 e 14, em que trabalha a produção de sons a partir de superfícies rugosas, “como uma pedra ou um prato”.

Pelas 17:00 de dia 15, Kaffe Matthews e ::vtol:: juntam-se numa conversa sobre “questões relacionadas com tecnologia, novos instrumentos e potencialidades dentro da música eletroacústica improvisada”, com a Sonoscopia a pretender criar um debate “extremamente importante” e “discutir novos terrenos e direções”.

No último dia, além de Asher e Sachs, atuam também o português Abdul Moimême, com Wade Matthews, além da banda norte-americana MSHR e do francês Lionel Marchetti, acompanhado do compatriota Xavier García.

Segundo o diretor-geral da Sonoscopia, que organiza regularmente concertos na sua sede “de forma mais informal”, o Colexpla é uma oportunidade “de quem vem [a esses eventos] assistir a concertos de forma diferente, em auditório, mas também aceder a mais gente” que fique a conhecer o meio.

O convite surgiu do Teatro Nacional São João (TNSJ), que coproduz o festival com a Sonoscopia e cede o Teatro Carlos Alberto, e a intenção de Gustavo Costa é que este festival possa “perdurar no tempo, como os festivais devem”, para poderem levar a resultados palpáveis na cena musical em que se inserem.

“Corríamos o risco de acontecer como com o Co-Lab, que ao parar abriu um grande buraco na cena cultural do Porto. (...) Já estamos a pensar no que serão os próximos anos do Colexpla e espero que isso aconteça”, rematou.

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