À noite, as luzes neon permanecem acesas, mas há quase dois meses não há ninguém nas fila na entrada dos teatros do lado de fora da Times Square, em Nova Iorque. Todas as semanas, os 33 milhões de dólares das bilheterias não entram por causa da pausa imposta pela crise do novo coronavírus.

Os profissionais que dão vida a este sector receberam os salários duas semanas depois do decreto do encerramento, mas agora apenas recebem o o subsídio de desemprego - que muitos nem sequer receberam, por causa do caos administrativo que aumentou com a pandemia.

"Infelizmente, é quase impossível para um músico de palco ganhar dinheiro agora", lamenta Clayton Craddock, baterista da orquestra do musical "Ain't too proud".

O salário base, de acordo com fontes, é estimado em dois mil dólares por semana, mas muitos músicos recebiam pagamentos mais altos.

Segundo o presidente do sindicato dos músicos "Local 802", Adam Krauthamer, vários membros já morreram com a COVID-19.

Dos 16 espetáculos que estavam em fase de preparação no momento da interrupção das atividades, a partir da decisão do governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, apenas dois foram oficialmente cancelados.

"Alguns podem não voltar, mas ainda não temos essas informações", disse Charlotte St. Martin, presidente da Broadway League, a principal associação da indústria.

A previsão é ainda mais sombria diante da certeza de que o regresso das atividades só poderá acontecer depois de junho. A Brodway ainda não tem certezas sobre uma data para a reabertura e muitos apontam que o melhor cenário será somente a partir de setembro. 

O pessimismo é grande quando se compara esta indústria com outras, como a dos desportos profissionais, que irá regressar às suas atividades com estádios com as portas fechadas ou com público restrito, opção impossível de ser implementada num teatro.

"O modelo financeiro da Broadway está estruturado de tal maneira que o distanciamento social simplesmente não funciona", diz St. Martin. "Mesmo com uma ocupação de 50%, um espetáculo não conseguiria pagar os seus custos", ressalta a presidente.

As peças e musicais se enquadram na categoria de aglomerações "que provavelmente são as últimas a serem permitidas", explica a presidente da Broadway League.

Segundo um membro da orquestra de um musical que preferiu não ser identificado, "se a Broadway voltar em setembro e eu puder viver disso, tudo bem. Mas estou preparado para que seja mais complicado".

Para resistir até a reabertura, a Broadway procura  ajuda pública. "Economicamente, a cidade precisa que a Broadway regresse à vida, e que o turismo, hotéis e restaurantes sejam mais saudáveis", diz Charlotte St. Martin, citando um estudo que estima a participação econômica desse setor em 14,7 mil milhões de dólares por ano para Nova Iorque.

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