Sucintos e directos, Pedro Gonçalves e Tó Trips, que formam os Dead Combo desde 2002, explicaram no que estavam a pensar quando lançaram "A Bunch of Meninos" e ainda confessaram ter recebido uma nega de Nick Cave.

A pistola da capa do álbum estava apontada a alguém em especial?

Pedro Gonçalves: Quando tirámos as fotografias disseram para fazer cara de mau. E, para ser credível, eu imaginei várias personagens da política portuguesa: o  Presidente da República, o Primeiro-Ministro, o Vice-Primeiro Ministro.

Talvez a expressão “Bunch of meninos” seja dirigida a eles, também.

Tó Trips: É uma expressão que tem a ver com o estado das coisas, de sermos governados por esta classe de meninos.

Ter duas línguas no mesmo título foi apenas uma opção estética?

PG: Sim. Não fomos nós que inventámos.  Essa expressão foi o nosso departamento técnico de som que inventou.

O que há de particularmente diferente na vossa música entre este álbum e “Lisboa Mulata”?

PG: Há coisas que não existiam no Lisboa Mulata. Há músicas que vão a sítios onde Lisboa Mulata não ia. “Havai em Chelas”, “Dona Emília”, são músicas que não exisitiam até agora no vocabulário dos Dead Combo. E depois também é um disco mais português, menos internacional e mais português.

TT: Mais eclético. No Lisboa Mulata até fizemos a pergunta “Onde é que vamos?” e decidimos ir parar um pouco à música africana. E este foi um disco mais rápido a gravar e fomos mais “straight to the point”. O que é que são os Dead Combo, voltar um pouco atrás, mas ao fim ao cabo com 10 anos de experiência.

Falaram da Havai em Chelas e da Dona Emília, que são nomes que causam impacto imediato. Escolhem os nomes antes ou depois de produzirem a música?

TT: É sempre tudo depois da música. Nomes, imagem... Primeiro surge a música, depois surge a história, depois as pessoas, os nomes...

Há algum encadeamento directo nos nomes das músicas?
PG: Não. Nos nomes das músicas não, mas nas músicas sim.

Se voltassem a participar numa banda sonora, com que realizador gostariam de trabalhar desta vez?

PG: Muitos...

TT: Para fazer música para um filme, acho que qualquer realizador de que gostemos, ou que nos identifiquemos com o seu trabalho, é sempre um desafio. Sejam realizadores estrangeiros ou portugueses.

Têm bastantes datas marcadas na digressão nacional. Quais são os planos internacionais?

PG: Em Setembro, se não me engano, o disco sai em Espanha, em França e provavelmente na Alemanha. E, na altura do lançamento do disco, faremos tournées nos respectivos países.

Quem é que teve a ideia e fez o convite para musicarem o telejornal da SIC?

PG: A ideia foi do Paulo Sardinha, da Universal. Ja há uns anos que tinha essa ideia e tinha tentado com outros canais de televisão – públicos – que recusaram. E desta vez propusemos à SIC e eles aceitaram.

TT: Basicamente, os responsáveis foram o Paulo Sardinha e o Pedro Mourinho. Nós só fomos lá e tocámos, não fizemos grande coisa.

O que acharam da experiência?

TT: Foi fixe, eu gostei.

PG: É sempre fixe experimentar coisas novas, acho que correu bem.

Sérgio Godinho e Camané juntaram-se ao último álbum para dar voz a algumas das músicas. Com que artistas gostariam de trabalhar em “Bunch of meninos”?

TT: Tentámos o Nick Cave. O gajo deu-nos tampa. Fizemos a música, mandámos uns poemas do Fernando Pessoa para ler, mas pronto.. Acho que gostou da música mas não o quis fazer. E temos o Alexandre Frazão, que é um amigo nosso e grande músico da casa, e o António Serginho, do Porto.

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