De janeiro a abril de 2021, a Culturgest vai voltar cruzar temas e áreas de programação, na música, no teatro, na dança, nas artes visuais, nos debates e conferências

“O regresso às memórias coloniais com o Teatro Griot; a aposta forte na dança com a celebração dos 20 anos de ‘The Show Must Go On’, de Jérôme Bel; o capítulo final de Suites, de Joris Lacoste; e Vera Mantero com o tema da ecologia, tema central das conferências de Teresa Castro e Michael Marder”, são alguns dos destaques da programação hoje apresentada.

Na programação da Culturgest, haverá também uma homenagem a Bruno Candé, com a nova criação de Mónica Calle, bem como concertos de artistas portugueses que lançam álbuns em 2021, entre eles Bruno Pernadas, Marco Franco, Chão Maior e Joana Guerra.

Nas artes visuais, a Culturgest destaca a primeira exposição antológica do angolano António Bolota e a primeira exposição em Portugal do malawiano Samson Kambalu, que dará, igualmente, uma conferência sobre o seu cinema Nyau.

Como aconteceu nos anos anteriores, entre janeiro e maio, a Culturgest vai acolher, em coprodução, os festivais de cinema Doclisboa e o IndieLisboa.

Vinte anos depois da sua estreia, em Lisboa, “The Show Must Go On”, de Jérôme Bell, regressa em janeiro numa versão remontada com um elenco português, com primeira apresentação na Culturgest, seguindo depois para o Teatro Viriato, em Viseu, e para o Teatro Municipal do Porto.

Jérôme Bel coloca em palco vinte intérpretes, dezanove canções e um DJ, que vai passando ‘hits’ das últimas décadas, incluindo canções dos The Beatles, David Bowie, Edith Piaf, Lionel Richie e Queen, brincando com convenções da dança e apostando num registo minimalista.

Em fevereiro, regressa o tema da Memória Colonial, com uma peça de teatro e uma conferência dedicadas à história esquecida da relação colonial entre Portugal e São Tomé e Príncipe: “O Riso dos Necrófagos”, do Teatro Griot, encenado por Zia Soares e pelo músico Xullaji.

Na mesma altura, realiza-se a conferência “UTOPIA MACHIM - resistência no lugar dos tempos”, em parceria com o Teatro Griot, com António Pinto Ribeiro, Inocência Mata, Miguel de Barros e Raquel Lima, para debater o lugar que a arte pode ocupar no resgate da memória.

No final do mês, sobe ao palco “Suite nº4”, da companhia Encyclopédie de la parole, do encenador francês Joris Lacoste, parte integrante do ciclo Suites, espetáculo com atores e cantores, baseado num acervo sonoro de fragmentos de texto, oriundos de canções, conversas, instruções, blogues e publicações na Internet.

Em março, Mónica Calle apresenta “O Escuro que te Ilumina”, em homenagem ao ator Bruno Candé, assassinado em Lisboa no dia 25 de julho, que faria parte deste elenco, um espetáculo que dá continuação ao trabalho iniciado com “Ensaio Para Uma Cartografia”, onde a palavra desaparece para dar lugar à expressão máxima dos corpos e da resistência.

Ainda no mesmo mês, a bailarina e coreógrafa Vera Mantero volta à Culturgest com “O Limpo e o Sujo”, movimentando-se entre duas necessidades: a interrogação da subjetividade e a interação com o mundo exterior.

No âmbito das conferências e debates, logo no início do ano, a historiadora de arte Teresa Castro apresenta uma sessão que será mais do que uma conferência: “Cinema e Razão Ecológica” junta conversa a exibição de excertos de filmes, abordando a crise ecológica face à perspetiva de um planeta inabitável.

Aproveitando o facto de em abril de 2021 se assinalar o 35.º aniversário do desastre nuclear de Chernobyl, o investigador Michael Marder vai analisar ligação entre modos díspares de obtenção de energia: da queima de combustíveis fósseis, à destilação de biodiesel e à divisão do átomo, numa conferência de índole filosófica, intitulada “Pesadelos da Energia: de Chernobyl à Emergência Climática”.

A música traz nesta temporada essencialmente artistas portugueses e concertos de apresentação de novos álbuns, como é o caso de Chão Maior, formação composta por Yaw Tembe, Norberto Lobo, Ricardo Martins, Leonor Arnaut, João Almeida, Yuri Antunes e Angélica Salvi, que apresenta o seu álbum de estreia.

Bruno Pernadas apresenta “Private Reasons”, Joana Guerra sobe ao palco para partilhar os temas do álbum “Chão Vermelho” e Marco Franco que, depois da sua estreia a solo, ao piano, com “Mudra”, em 2017, apresenta agora “Arcos”.

Ao nível das artes visuais, a Culturgest destaca o prolongamento das mostras “Exposição Invisível”, de vários artistas, com curadoria de Delfim Sardo, e “A Natureza Detesta Linhas Retas”, de Gabriela Albergaria.

No que respeita a inaugurações, está prevista a primeira exposição antológica do português António Bolota, “Mão-de-obra”, engenheiro civil de formação, que utiliza como linguagem escultórica muros, vigas, paredes, portas, pilares e todo o tipo de elementos associados ao universo da construção civil.

A outra inauguração é “Permanent Strike”, primeira exposição em Portugal do artista malawiano Samson Kambalu, radicado no Reino Unido, que ganhou destaque internacional na Bienal de Veneza, em 2015, cujo fio condutor é a história de vida de Clement Kadalie, o fundador do primeiro sindicato de trabalhadores negros na África do Sul.

Na Culturgest Porto, inaugura-se em março o quinto momento do ciclo “Reação em Cadeia”, a exposição “Apofenia”, do coletivo Las Palmas.

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