“Penafiel prestará assim homenagem a um grande nome da poesia, que infelizmente nos deixou recentemente, mas cuja marca de excelência literária estará sempre connosco”, lê-se numa nota da autarquia de Penafiel enviada à agência Lusa.

Assinala aquele município do distrito do Porto que, apesar de se tratar da primeira edição do Escritaria em formato de homenagem póstuma, “Penafiel irá inaugurar a silhueta da escritora e uma frase que marcará a cidade para memória futura”, como aconteceu com os anteriores homenageados do festival literário.

“Ana Luísa Amaral construiu ao longo da sua vida uma obra singular e prestou um serviço de excelência à língua e à literatura portuguesas, motivos que nos levaram a manter a homenagem, como previsto, à sua vida e obra, apesar de nos ter deixado recentemente”, reforça o presidente da câmara, Antonino de Sousa, citado num comunicado.

Nos vários dias do evento, as ruas e praças de Penafiel voltarão a estar “contaminadas com literatura em todos os cantos e recantos e das mais variadas formas”, indica a organização, acrescentando: “Além da transformação habitual, da cidade, em torno da escritora homenageada e da sua obra, com alusões nas montras, exposições, arte de rua, teatro, música e apresentação de livros, o Escritaria de 2022 contará com algumas surpresas em torno da obra de Ana Luísa Amaral”.

Nascida em Lisboa, em abril de 1956, Ana Luísa Amaral, que morreu no passado dia 05 de agosto, aos 66 anos, vivia em Leça da Palmeira, Matosinhos, desde a infância.

Estudou Literatura, fez um doutoramento na poesia de Emily Dickinson, que traduziu, especializou-se em Poéticas Comparadas, Estudos Feministas, Estudos Queer.

Professora aposentada de Literatura Inglesa da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, era investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, somando publicações académicas e promovendo edições como o "Dicionário de Crítica Feminista", de que foi coautora, e mantendo viva a importância de obras como "Novas Cartas Portuguesas", de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, cuja edição mais recente anotou.

Recebeu os maiores prémios, nacionais e internacionais, do Prémio Vergílio Ferreira ao Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, do Correntes d'Escritas, ao Prémio Internazionale Fondazione Roma: Ritratti di Poesia.

A poeta recebeu o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, no ano passado, e, em maio último, no âmbito do galardão, participou na 33.ª Noite de Poesia na voz dos seus autores, no Palácio Real de Madrid.

Há dois anos, a associação das Livrarias de Madrid deu o prémio de Livro do Ano, na área de Poesia, à edição espanhola de "What’s in a name", da escritora portuguesa.

Na Antena 2 participou no programa “O Som que os Versos Fazem ao Abrir”.

A obra de Ana Luísa Amaral encontra-se traduzida e publicada em mais de uma dezena de línguas e países.

Desde a sua primeira edição, o Festival Literário Escritaria homenageou Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, Mário Cláudio, Alice Vieira, Miguel Sousa Tavares, Pepetela, Manuel Alegre, Mário Zambujal e Germano Almeida.

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