Novas produções estão também em ensaio, durante o verão estão previstas atuações, de preferência ao ar livre, que levem "o Teatro D. Maria à cidade", e, em setembro, a abertura da nova temporada vai ocorrer mais cedo do que o habitual, disse à Lusa a presidente do Conselho de Administração, Cláudia Belchior.

Cerca de três meses depois de ter suspendido a programação, devido à pandemia de COVID-19, e depois de inicialmente ter anunciado que só retomaria os espetáculos em sala a partir de setembro, o Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) reabre ao público nos dia 20 e 21 de junho, com o espetáculo “By Heart” e com uma programação que permitiu “reagendar os 18 espetáculos” que estavam planeados, disse à Lusa Cláudia Belchior.

De acordo com a responsável, as verbas angariadas com o espetáculo “By Heart” vão reverter para um fundo de emergência para os profissionais da cultura, que atravessam dificuldades com esta paragem forçada devido às medidas restritivas impostas pelo Governo para travar a disseminação do novo coronavírus.

Este anúncio deu alento a todos os que trabalham no teatro, disse Cláudia Belchior, assinalando que “as pessoas estão a sentir-se seguras com o novo espetáculo e com a reabertura”.

As iniciativas previstas para decorrer ao longo do verão, terão lugar essencialmente fora do espaço do teatro, que está a ser utilizado para os ensaios de espetáculos que ficaram pendentes.

“Quando parámos, no dia 13 de março, estávamos em vésperas de estrear, estávamos em fase de criação, a iniciar ensaios, e tivemos de suspender tudo. Os profissionais estão agora a ensaiar e não podemos usar as instalações”, contou Cláudia Belchior.

Neste momento está a ser trabalhada a peça “A vida vai engolir-vos", de Tónan Quito, a partir das quatro principais peças de Tchékhov, uma coprodução com o São Luiz Teatro Municipal.

A temporada começa este ano mais cedo, foi antecipada para dia 2 de setembro (quando começa normalmente entre 15 e 20), para recuperar o tempo perdido e “conseguir fazer todos os espetáculos”, disse a presidente do Conselho de Administração do teatro, acrescentando que só assim foi possível reagendar os 18 espetáculos.

Enquanto se trabalha dentro, apresentam-se espetáculos fora. Nesse contexto, o TNDM vai participar no Festival ao Largo, em colaboração com o Teatro Nacional de São Carlos, no dia 12 de julho, com o espetáculo “Sopro” - também de Tiago Rodrigues, diretor artístico do D. Maria -, e vai estar no Festival de Almada, no primeiro fim de semana de julho.

Está também "a desenhar uma iniciativa”, juntamente com a administração do Hospital de Santa Maria.

“Vamos fazer uma iniciativa para estarmos junto dos profissionais de saúde, para lhes agradecer publicamente e juntar a cultura e a saúde”, disse.

Sem adiantar detalhes, porque a iniciativa está ainda a ser pensada e programada, Cláudia Belchior afirmou que “a ideia será sempre sair do teatro e estar nas instalações que pertencem ao Santa Maria”.

“Estamos também a ver espaços da cidade para espetáculos mais pequenos, de entrada livre, e preferência ao ar livre, durante julho. Vamos abrir de forma muito interessante: levar o Teatro D. Maria à cidade”, acrescentou.

Quanto aos espetáculos internacionais que já tinham sido anunciados, vão ser todos reagendados – caso do “Bajazet”, que será posto em cena entre o final deste ano e o início do próximo -, e “a colaboração com o Alkantara Festival também vai existir”.

Alguma da programação prevista para o período de março a junho foi canalizada para o online, como é o caso de “O clube dos poetas vivos” e algumas iniciativas para crianças.

O sucesso da disponibilização de espetáculos online foi tão “surpreendente”, com “quase 120 mil visualizações”, que o TNDM decidiu manter alguma programação nas redes sociais, como a maratona de leitura de “Os Lusíadas”, de António Fonseca, “que põe pessoas a recitar cantos” daquela obra de Luís Vaz de Camões, assinalou Cláudia Belchior.

No âmbito do “plano de desconfinamento”, as salas de cinema, teatro e espetáculos em Portugal tiveram autorização para reabrir a partir de 1 de junho, mas o Teatro Nacional D. Maria II anunciou, inicialmente, que só reabriria em setembro.

Sobre esta alteração, Cláudia Belchior explicou que se tratou, por um lado, das “incógnitas” que a possibilidade de reabrir traria, por outro, da incerteza sobre se conseguiriam em tão pouco tempo (desde o momento em que foi anunciada a reabertura até à data para tal) voltar a trabalhar normalmente.

“Tivemos o anúncio da reabertura dos teatros quase no final de maio. Não tínhamos perspetiva de saber quando estaríamos a trabalhar em pleno. Tínhamos uma preocupação que era a de saber como trabalhar em segurança. Havia muitas incógnitas, apesar de termos o nosso próprio plano de contingência”, explicou a responsável pelo teatro.

Além disso, também estavam a decorrer naquele espaço obras, que avançaram em maio, para ter o verão para preparar as estreias.

No entanto, com o anúncio da reabertura dos teatros, com os números da infeção a diminuírem e os sinais da evolução da doença a serem cada vez mais animadores, mas ao mesmo tempo com o espaço do teatro ocupado, gerou-se uma situação de conflito entre a vontade de reabrir e a dúvida de como o fazer.

“Há uma grande preocupação para os teatros de criação: como abrir de repente sem ter ensaiado? Então, acho que esta solução é muito boa. Conseguimos desenhar uma programação fácil de montar”, contou Cláudia Belchior, referindo ainda que os trabalhadores “ficaram muito entusiasmados por voltar aos ensaios – com máscaras feitas pela equipa de guarda-roupa -, porque para quem está habituado a trabalhar todos os dias para um público, o confinamento foi terrível”.

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