Numa publicação na página da Amplificasom, entidade organizadora, o responsável André Mendes assina um texto no qual começa por assegurar que “o Amplifest não morreu” e vai regressar em 2018.

“Em 2015, depois da edição onde ainda hoje se fala daquele final de tarde/início de noite com Altar of Plagues, William Basinski e Converge, tínhamos decidido que uma eventual edição de 2016 só avançaria se fizesse sentido. A partir do momento em que fechamos Neurosis, o caminho para a sexta edição estava traçado. Foi, de facto, a mais especial de todas”, pode ler-se no texto que traça a história do festival para explicar a decisão.

O organizador acrescenta: “Organizar uma experiência destas apenas com duas pessoas, onde as mesmas têm outros empregos e compromissos sem apoios, fundos ou patrocínios e dependem exclusivamente da bilheteira é parvo. Mas nós somos loucos e parvos e estamos tranquilos em relação a isso. No entanto, com o passar do tempo, há um desgaste, mas mais do que um desgaste, é a falta de estímulo, é sentir que fizemos um trabalho brutal com todas as nossas energias, saber que o mesmo é reconhecido nacional e internacionalmente, mas querendo evoluir”.

Por várias razões elencadas ao longo do texto, André Mendes afirma que sentiram “então que um Amplifest 2017 nas mesmas condições que as edições anteriores não faz sentido”.

“Passa o futuro por ter o Amplifest numa cidade que o apoie tal como merece ser apoiado? Comprometer um pouco toda a filosofia e abrir portas a patrocínios que entendam a experiência? Abrir a porta a parceiros individuais que se queiram juntar a esta viagem? Subir o preço do bilhete para os parâmetros europeus? Manter tudo como está, mas adaptá-lo a uma experiência bienal daqui para a frente? O tempo o dirá”, escreveu o responsável da Amplificasom.

Desta forma, o Amplifest voltará quando se sentirem “preparados”, especialmente se houver a noção de que há “algo realmente distinto para oferecer no meio de todo este ruído que por aí anda”.

“O dinheiro nunca foi o catalisador de nada na Amplificasom e, mesmo sendo essencial para qualquer projeto, não é o que nos move. A música sim, é por ela que continuamos apaixonados. Vamos aproveitar esta pausa para refletir, mas também para continuarmos focados nos eventos Amplificasom, para nos envolvermos em novas aventuras, para continuarmos envolvidos em diferentes produções, no ‘booking’ e, verdade seja dita, para nos focarmos um pouco em nós próprios”, concluiu, abrindo a porta a sugestões por parte dos leitores e interessados.

No ano passado, André Mendes havia realçado à Lusa que o festival voltou a ser feito sem apoios privados, o que, se por um lado dificulta a gestão financeira do Amplifest, significa que o evento não é “refém nem de sala, nem de preço, nem de data, nem de conceito”.

“Pode haver um dia em que colocamos um ponto final neste conceito e fazemos uma coisa mais aberta à cidade. Ou um evento completamente diferente”, disse na altura André Mendes, que ressalvou que em 2016, pela primeira vez, contaram com assistência da Câmara Municipal do Porto.

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