“Vamos ter três criações de companhias que não puderam estrear os espetáculos durante o período de confinamento”, disse à agência Lusa o diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada, Rodrigo Francisco, estrutura que organiza o festival.

Segundo o responsável, a primeira estreia acontece logo no dia 3 de julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite, com “Bruscamente no Verão Passado”, uma peça do dramaturgo norte-americano que denuncia a intolerância relativa à homossexualidade na sociedade dos anos de 1950, encenada pelo diretor do Teatro Experimental de Cascais.

“É um dos textos que tem gerado mais controvérsia, porque é bastante atípico. Há uma personagem que, quando a peça começa, já morreu”, disse o diretor.

A segunda estreia é a peça “As Artimanhas de Sapin”, uma das mais conhecidas comédias de Moliére, encenada por João Mota, o diretor de A Comuna, que estará em exibição entre 16 e 19 de julho, no Fórum Municipal Romeu Correia.

Nos mesmos dias, mas na Academia Almadense, estará “Instruções para Abolir o Natal”, de Michael Mackenzie, outra estreia, esta pela Companhia de Teatro do Algarve, que aborda os efeitos da crise financeira de 2008, na sequência da falência do banco norte-americano Lehman Brothers.

Segundo Rodrigo Francisco, esta será uma edição em que o público “pode tomar o pulso à criação teatral portuguesa”, o que foi uma oportunidade, mas também uma consequência da pandemia da COVID-19, que impediu a deslocação de artistas internacionais.

“Esta circunstância de não poder haver praticamente espetáculos estrangeiros faz com que o festival se volte sobre si próprio, mas nunca numa perspetiva nacionalista. Não é isso que nos interessa. Os espetáculos só não vieram porque não era possível e, já que assim aconteceu, assistamos aos espetáculos portugueses”, explicou.

Ainda assim, o festival conta com três peças estrangeiras - duas espanholas e uma italiana -, nomeadamente “Johan Padan à Descoberta das Américas”, um monólogo de Dario Fo, anti-epopeia cómica narrada a partir do ponto de vista de um fugitivo à inquisição, que acaba por se ver a bordo das naus de Cristóvão Colombo. A peça do dramaturgo italiano, Nobel da Literatura em 1997, é interpretada por um dos 'seus' atores privilegiados, Mario Pirovano.

Vinda de Espanha, a dupla catalã Agnès Mateus e Quim Tarrida apresentam a 'performance' “Rebota, rebota y en tu cara explota”, uma criação própria que se manifesta contra a violência sobre as mulheres, tendo vencido o Prémio Sebastià Gasch 2018.

Outra característica desta edição é que vai ter “companhias de fora de Lisboa, a que normalmente o público não tem acesso”, como é o caso da estreia da Companhia de Teatro do Algarve, sublinhou Rodrigo Francisco.

Já do Porto vem a encenação de “Castro”, do Teatro Nacional de São João, assinada pelo seu diretor artístico, Nuno Cardoso, representação da tragédia de Pedro e Inês. Trata-se de um clássico escrito na segunda metade do século XVI, pelo poeta António Ferreira, que é considerada “a mais bela peça escrita em língua portuguesa”, mencionou o diretor.

No entanto, Lisboa também não fica esquecida e o Teatro Nacional D. Maria II vem até Almada entre 4 e 12 de julho com o monólogo “By Heart”, escrito e encenado pelo diretor artístico Tiago Rodrigues, que ensina um soneto de Shakespeare a dez espectadores que se juntam a si, em cena.

Por sua vez, a Companhia de Teatro de Almada apresenta “Mártir”, do dramaturgo alemão Marius von Mayenburg, encenada por Rodrigo Francisco, que se baseia num rapaz que se torna num religioso cristão extremista, lançando “uma série de provocações sobre não haver nenhuma religião que esteja ligada ao extremismo”.

Outra criação da companhia apresentada neste festival é “A Viagem de Inverno”, de outro Noel da Literatura, Elfriede Jelinek, encenada por Nuno Carinhas, que transporta uma memória autobiográfica da história recente da vida austríaca.

A apresentação presencial de hoje ficou marcada, para a companhia, pela felicidade da organização do festival, neste tempo de pandemia, e pela reunião das várias companhias presentes, uma vez que os últimos meses foram "difíceis", com “momentos de incerteza, nomeadamente, se este dia ia chegar”.

O festival foi planeado com o teatro fechado, com trabalhadores em ‘lay-off’ e a lotação das salas teve de ser reduzida para metade, mas Rodrigo Francisco anunciou que já foram vendidas “mais de metade das assinaturas” que dão acesso a todos os espetáculos.

Segundo o responsável, as assinaturas tiveram “uma redução substancial no preço”, passando de 75 para 50 euros.

Além disso, anunciou que a Companhia de Teatro de Almada vai manter a programação anunciada para o resto do ano no Teatro Municipal Joaquim Benite, tendo agendados quatro espetáculos, três deles para crianças.

A próxima estreia acontece em novembro com “Prelúdio ao Rei Lear”, de Ferenc Molnár, encenado por Rodrigo Francisco.

A programação integral será disponibilizada em https://ctalmada.pt/.

Newsletter

Fique a par de todas as novidades do SAPO Mag. Semanalmente. No seu email.

Notificações

Os temas quentes do cinema, da TV e da música estão nas notificações do SAPO Mag.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.