Depois de meses de indefinição devido à pandemia, a organização decidiu avançar, repartindo o festival em duas fases, explica a diretora executiva da Artemrede.

“Há cerca de dois ou três meses, quando tivemos de tomar a decisão se o Manobras ia acontecer e em que moldes, havia tanta indefinição, incerteza e insegurança. Decidimos avançar porque era importante dar sinais de que era possível viver a cultura e as artes ao vivo, mas quisemos fazê-lo com alguma cautela”, diz Marta Martins.

Assim, a quarta edição manteve “todos os compromissos assumidos” mas foi repartida em dois momentos: um arranca a 12 de setembro e vai até 31 de outubro, com 27 apresentações em Abrantes, Alcanena, Barreiro, Montemor-o-Novo, Moita, Montijo, Palmela, Pombal, Sesimbra, Sobral de Monte Agraço e Tomar; outro acontece na primavera, com programação nestes e noutros três municípios.

Para a diretora da Artemrede, o número de municípios envolvidos “é muito interessante” e significa que as autarquias “reconhecem no Manobras um conjunto de propostas de qualidade”.

Para a temporada de outono foram selecionados espetáculos “mais facilmente ajustáveis às regras de segurança”, cumprindo o distanciamento entre o público e entre espectadores e artistas, “com lotações mais reduzidas”. Dois espetáculos rua que incluíam deambulação foram adaptados para um formato fixo, por exemplo.

Restringido a artistas nacionais, o Manobras coloca em ação dez equipas artísticas, responsáveis por oito espetáculos e dois filmes, avança Marta Martins. Como habitualmente, o festival desenvolve-se em sala mas também em espaços não convencionais, como bibliotecas, museus, praças, jardins e largos, “tendo em conta todas as normas de segurança”.

O programa contempla propostas que, tendo nascido antes da pandemia, se enquadram neste tempo, e que pode ser encaradas já como “reflexo de medos, anseios e preocupações que vêm de antes”.

É o caso de “O2”, da companhia PIA, sobre desafios ambientais e um mundo distópico sem oxigénio, ou o alerta sobre manipulação quotidiana da opinião pública, tema tratado em “Manusear”, do Projeto EZ.

“Há um ano não fazíamos estas ligações, mas agora é imediato”, frisa Marta Martins

Habituada a trabalhar com muitas estruturas, a diretora da Artemrede identifica em muitos artistas “uma vontade de agir, de interpretar este tema da pandemia e do confinamento”. Mas “há outros que de todo querem fazer isso”.

“Não querem estar sujeitos à influência de um tema que é tão próximo. Se calhar daqui a um ano, dois, daqui a cinco anos será mais fácil olhar para trás, para 2020, e trabalhar este tema”, conclui.

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