No quintal “Aleluia”, o jantar começou por incluir a louça “comestível que toda a gente quis provar”, mas, disse Valentim Alves à agência Lusa, “a procura foi tanta que os pratos se acabaram logo na primeira noite” do Festival Bons Sons.

Produzida pela empresa polaca Biotrem, a louça biodegradável foi este ano introduzida a título experimental no Bons Sons, mas os “cerca de 500 kits de prato e talheres” desapareceram “em poucas horas”, acrescentou o responsável por um dos espaços de restauração dinamizados pela organização do festival.

Quem comeu, como Luis Santos, do Porto, diz que “na verdade o sabor não é bom”, mas “o que conta é o princípio por trás da escolha deste tipo de materiais, melhores para o ambiente”.

Por isso, a organização do Festival, o Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS), admite que “no próximo ano, em todo o festival, só seja mesmo possível comer neste tipo de louça”, adiantou Valentim, considerando que “o investimento é elevado, mas vale a pena em termos da redução de plásticos no recinto”.

No festival, que nesta edição se faz sem dinheiro dentro do recinto, o sistema de pagamentos ‘cashless’ (através da pulseira de acesso ao evento) é outra das “apostas ganhas” em termos de “facilitação do sistema quer para os voluntários, quer para os visitantes”, afirmou António Craveiro.

O Tó, como é conhecido e faz questão de ser chamado o voluntário, não esconde ter ficado no início “um bocado apreensivo” com o sistema – temeu “que pudesse dar buraco”. Mas, ao terceiro dia de festival, “afinal, até tem sido tudo mais fácil”, com as pessoas a “gastarem até mais dinheiro, porque não precisam de ir para as filas comprar senhas sempre que querem comer ou beber alguma coisa”.

Carla Cruz, de Sintra, frequentadora das últimas três edições do Bons Sons, corroborou: “Com carregamentos na pulseira é muito mais prático, mas já ouvi dizer que se gasta mais dinheiro”.

Já para Cristina Silva, de Torres Vedras, “todo o dinheiro é bem gasto” no festival, onde “a consciência ecológica e social faz com que tudo seja muito equilibrado, sem preços exagerado e com a vantagem de o lucro ser aplicado em projetos sociais”.

É por isso que “o sistema foi pensado para que, no final do dia, ou do festival, as pessoas possam pedir uma fatura de todo o dinheiro que gastaram e o dinheiro restante, se carregaram a pulsei com mais do que o valor que consumiram”, sublinhou Tó, um dos naturais de Cem Soldos que entre quinta-feira e domingo trabalham como voluntários na organização do Bons Sons.

Este ano, sob o título “Amor de verão”, o festival Bons Sons decorre em Cem Soldos, no distrito de Santarém, até domingo.

Ela Vaz e Miguel Calhaz são os nomes que ainda hoje podem ser ouvidos no palco Amália, enquanto no palco Giacometti o destaque é para Quartoquarto.

No palco Zeca Afonso ouve-se ainda hoje Paus e, no centro da aldeia, no palco Lopes Graça, os grandes momentos da noite serão protagonizados por Sean Riley & The Slowriders e, pela noite fora, Cais Sodré Funk Connection.

O Festival Bons Sons é organizado desde 2006 pelo Sport Club Operário de Cem Soldos e manteve-se bienal até 2014, após o que passou a realizar-se anualmente tendo recebido, em oito edições, 278 concertos e 238.500 visitantes.

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