“Melancolia Programada”, da autoria de Gabriel Abrantes, com curadoria de Inês Grosso, abre com uma série de aguarelas, que introduzem uma dimensão intimista e autobiográfica que é pouco habitual no trabalho deste artista, segundo um comunicado do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT).

A exposição organiza-se em torno de seis ambientes distintos, cada um construído em torno de um dos filmes do realizador, sendo a primeira sala dedicada à sua mais recente curta-metragem, “Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre”, e inclui uma das novas animações 3D em realidade virtual feitas especificamente para esta exposição individual.

No caso de “Visionary Iraq” (2008) e “Too Many Daddies, Mommies and Babies” (2009), os ambientes recriam os cenários dos filmes.

“As novas pinturas de Abrantes são habitadas por personagens enigmáticas e ambíguas, entre o ‘cute’ e o grotesco, que pairam sobre um fundo azul, como uma paisagem desértica e crepuscular que evoca um espaço-tempo metafísico capaz de transcender a corporeidade física da superfície da tela”, refere o MAAT.

Realizadas a partir de imagens geradas por diferentes programas de animação digital, estas obras demonstram o crescente interesse de Gabriel Abrantes pelo cruzamento entre animação digital 3D, inteligência artificial e história da arte, em particular pela pintura ocidental.

Nestas pinturas encontram-se referências a Paul Cézanne, Pablo Picasso, René Magritte ou Ed Ruscha, mas também às figuras votivas do Período Dinástico Arcaico, à commedia dell’arte ou à estética visual dos filmes da Disney e Pixar e às célebres curtas-metragens de animação americanas (Talkartoons), dos anos 1920/30.

Observando a relação entre cinema e pintura, “percebe-se que o imaginário visual dos filmes provém das fontes do pintor – por exemplo, o robot futurista do filme ‘Humores Artificiais’ (2017) é uma clara referência aos icónicos sinos de René Magritte – na mesma medida em que, no caso deste novo conjunto de pinturas, a sua inspiração tem também origem em vídeos animados”.

Mais do que traçar um arco temporal retrospetivo do trabalho de Gabriel Abrantes, “Melancolia Programada” propõe um exercício experimental de encontros visuais.

A outra exposição que estará patente a partir de dia 12 intitula-se “Unharias Ratóricas”, designação que se inspira nas unhas dos animais e em ninharias, juntamente com um jogo de letras, em que da palavra Retóricas é substituído o E de “elusão” pelo A de “alusão”, explica a nota do MAAT.

Da autoria da dupla Von Calhau!, e com curadoria de DOXAMITRAX, todo o conceito espelhado no título alude ao animal rato e à teoria que afirma que os escritores são ratos que constroem labirintos de onde tentam escapar.

Assim sendo, os artistas baseiam-se na ideia da construção de um livro e da sua edificação no espaço, pretendendo “espacializar um livro” intitulado “Acéfalanterna” (disponível para consulta no espaço da exposição) que será lançado no dia 29 de fevereiro.

A exposição amplifica materiais do livro em suportes de papel, vídeo e outros, e faz a posterior tradução destes para poemas cegos, compostos com o auxílio de uma máquina Perkins Brailler, usando apenas a letra A do código braille.

As duas exposições ficam patentes no edifício da Central até dia 19 de maio.

O edifício do MAAT vai ser reaberto no dia 27 de março, depois de ter sido afetado pelo mau tempo em dezembro.

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