Pela primeira vez na história, os canais de televisão portugueses e as rádios uniram-se em torno de uma só causa. O concerto "Juntos Por Todos" foi organizado em tempo recorde e juntou mais de 20 artistas no palco do MEO Arena. Os portugueses não ficam indiferentes a esta iniciativa e esgotaram em poucos dias a sala de espetáculos - segundo as contas da organização, 14 mil pessoas assistiram ao vivo ao concerto.

Os espectadores que acompanharam o concerto através da televisão, da rádio ou das redes sociais também se juntaram na onda de solidariedade, ligando para o número de valor acrescentado. No final, foi entregue um cheque de mais de um milhão e 150 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas e que irá ajudar as vítimas dos incêndios na região centro de Portugal.

As portas do MEO Arena abriram pouco antes das oito da noite. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou à sala de espetáculos pouco depois das 21h00 e foi recebido com um forte aplauso.

Agir foi o primeiro artista a subir ao palco do MEO Arena. O cantor interpretou "Como Ela É Bela". "Em nome das vítimas de Pedrogão [Grande], quero ver toda a gente com uma luz no telemóvel", pediu o artista e o público abraçou de imediato a ideia. "Nem imaginam a imagem que eu estou a ter daqui", frisou Agir ao ver o mar de milhares lanternas que iluminavam o MEO Arena.

Veja na galeria as imagens das atuações:

"Juntos Somos Mais Fortes" foi a canção que os Amor Electro levaram ao palco do concerto solidário. "Há uma lição a tirar de tudo isto: fazer mais e melhor (...) Juntem-se a nós porque juntos somos mais fortes", sublinhou a vocalista, Marisa Liz, entre os refrães. "É emocionante ver toda a gente que está a trabalhar para que isto seja possível, são mais de 700 pessoas aqui dentro e há horas. A juntar esforços e vontades para que isto fosse possível", disse a cantora, acrescentando que é preciso fazer mudanças para que tragédias como a de Pedrogão Grande não se voltem a repetir.

"A música tem este poder de unir as pessoas"

Já Ana Moura trouxe o seu "Desfado" ao palco do MEO Arena. "A música tem este poder de unir as pessoas. A Agustina Bessa-Luís tem um poema que diz que 'o português não é conflituoso, é desordeiro. O conflito está na mente; a desordem está no coração'. Acho que isto nos define da melhor forma possível", disse a cantora.

Aurea foi a quarta artista a subir ao palco do MEO Arena. "É arrebatador ver-vos todos aqui unidos pela mesma causa", disse a cantora antes de abraçar o público com "I Didn't Mean It". "Para mim é uma honra estar aqui hoje e poder colocar a minha voz numa causa tão nobre como esta", frisou a artista em conversa com Sílvia Alberto.

"Portugal é um país unido. Acho que se vê nestes momentos, mas deve ver-se no ano inteiro", pediu Aurea.

"Um mundo sem música e sem esperança não faz sentido"

Carlos do Carmo e Camané

Carlos do Carmo e Camané encontraram-se em palco para cantar "Por Morrer Uma Andorinha". No final da atuação, Carlos do Carmo sublinhou que "a esperança é vital" na vida. "Gostaria de destacar a generosidade das pessoas, algo em extinção na Europa, que é o continente que eu conheço melhor", elogiou o fadista. "Um mundo sem música e sem esperança não faz sentido", acrescentou.

Para Camané, a união das várias entidades para a realização do concerto é a prova de que os portugueses são um povo unido. "A esperança e a fé são as coisas mais importantes da vida", defendeu.

"Meu Mar Marinheiro" foi o tema escolhido por Carminho. "Ainda estou emocionada por tudo aquilo que aconteceu", confessou a fadista, acrescentando que esta causa a marcou em particular.

No final da atuação, as 14 mil pessoas que esgotaram o MEO Arena levantaram-se para aplaudir os bombeiros portugueses.

Os D.A.M.A embalaram o público ao som de "Não Dá", um dos temas mais entoados da noite. Com a luzes de palco quase desligadas, os smartphones iluminaram o MEO Arena, fazendo lembrar um céu estrelado. "Não estamos de olhos fechados, estamos juntos por esta causa", frisou a banda.

"Que noite extraordinária é esta. Um sentido de comunidade absurdo. Obrigado a todos", disse David Fonseca antes de arrancar para "Someone That Cannot Love". "É um choque que não é regional, é um choque atingiu o país inteiro", frisou, acrescentando que os portugueses têm uma ideia de comunidade muito forte.

"Temos a capacidade de nos unirmos, de agirmos como comunidade", elogiou o cantor.

"História" foi o tema escolhido por Diogo Piçarra e que foi cantado a uma só voz por muitos dos presentes. "É um enorme orgulho fazer parte desta festa (...) É de louvar tudo isto que foi feito em menos de uma semana", disse o jovem cantor no final da atuação.

Gisela João também animou o MEO Arena com "Senhor Extraterrestre". "Quero ver tudo a dançar", pediu a fadista e o público aceitou o desafio, aplaudindo no ritmo certo a canção. "Às vezes, chateia-me a forma como olhamos para nós próprios. Este momento é um exemplo de como nós somos muito grandes, muito grandes", disse a fadista, entre lágrimas.

"A beleza mais pura que pode existir é uma coisas destas", defendeu, lembrando que "um sorriso na cara" faz sempre a diferença.

Hélder Moutinho levou ao palco do MEO Arena "O Que Sobrou da Mouraria". "Afinal, a malta não se junta para ir só ao futebol... também se junta para este tipo de causas", frisou o fadista, acrescentando que é preciso mudar para que "isto não volte a acontecer".

A segunda parte de "Juntos por Todos" arrancou com João Gil e Luís Represas. À viola, os músicos brindaram o público com "Memórias de Um Beijo".

"Isto não é novidade, infelizmente. Quando os portugueses são chamados a dizer presente, os portugueses estão presentes", frisou Luís Represas, acrescentando que "os portugueses são o povo mais solidário".

Jorge Palma e Sérgio Godinho

Jorge Palma e Sérgio Godinho também se encontraram no palco do MEO Arena para homenagear as vítimas dos incêndios. Os músicos decidiram fazer um pequeno medley com os temas "Portugal, Portugal" e "Primeiro Dia".

"É preciso ter coragem para gastar o dinheiro que for preciso para que nunca mais aconteça", frisou Jorge Palma.

"Hoje tem de ser sempre o primeiro dia do resto das suas vidas, sabendo que é difícil", disse Sérgio Godinho, acrescentando que nunca nos podemos esquecer dos bombeiros.

"Cúpido" foi o tema escolhido por Luísa Sobral. "Espero conseguir representar um bocadinhos os meus colegas que gostavam de estar aqui e não estão", disse a cantora, acrescentando que os aplausos não devem ser só para os artistas mas também para quem organizou o evento.

"Venho de Angola porque vocês também são a minha família", atirou Matias Damásio, que foi recebido com um forte aplauso. O cantor animou o MEO Arena com "Loucos", o seu maior sucesso em Portugal. "Levo daqui uma grande lição de união. Muito obrigado a todos", confessou o músico.

Miguel Araújo também não faltou ao concerto "Juntos Por Todos". "Anda Comigo Ver os Aviões" foi o tema escolhido pelo músico, que contou com um coro de 14 mil pessoas.

A terceira e última parte arrancou ao som de "Sei-te de Cor", de Paulo Gonzo. "É uma boa causa. A música ajuda a renovar as coisas", frisou o músico no final da atuação.

"Que haja sempre um abraço invisível, uma música"

Pedro Abrunhosa foi o senhor que se seguiu no palco do MEO Arena, com "Toma Conta de Mim". "Que saibamos tomar conta uns dos outros nos momentos mais aflitivos da nossa vida, que haja sempre um abraço invisível, uma música, um pedaço de alma, um olhar, um abraço, um beijo. Que haja amor para com os mais fracos, os pobres,  os loucos, com aqueles que tudo perderam", pediu o músico durante a canção.

Rita Redshoes levou ao palco "Mulher". "É muito bonito o que está a acontecer aqui hoje, mas não nos vamos esquecer porque é que estamos aqui", pediu a cantora portuguesa. "Não esquecer que há responsabilidades políticas e individuais que têm de ser apuradas por respeito - e só isso devolve o respeito - à memória daqueles que não ficaram cá", acrescentou.

A fechar, Rui Veloso recordou uma das canções mais marcantes da sua carreira, "Primeiro Beijo". Foi mais um dos pontos altos do concerto, num momento de comunhão perfeita entre o músico e o público que esgotou o MEO Arena. Tal como diz a letra, nesta noite "foi muito mais aquilo que nos uniu, do que o que nos separa".

Amar por dois e por todos

Salvador Sobral, vencedor do Festival Eurovisão da Canção, fechou o concerto solidário. Ao contrário do planeado, o músico interpretou inicialmente "A Case of You" e não "Amar pelos Dois". Durante a atuação, o silêncio dominou o MEO Arena, um dos momentos mais emocionantes da noite.

Mas a grande ovação chegou com os primeiros acordes do tema vencedor da Eurovisão. As milhares de pessoas cantaram todo o tema, com as emoções a apoderarem-se de muitos dos presentes. Foi um final bonito, onde as 14 mil pessoas provaram que poderiam amar por Portugal.

No final, todos os músicos subiram ao palco do MEO Arena para entregar o cheque de mais de um milhão e 153 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas.

Antes da emissão televisiva, arrancou, às 20h10, em dezenas de rádios uma emissão conjunta em FM, AM e Digital. O especial está a ser conduzido por António Macedo (Antena 1), Carla Rocha (RR), Nilton (RFM) e Vasco Palmeirim (Rádio Comercial). As rádios contam ainda com repórteres em todo o recinto.

Antena 1, Mega Hits, M80, Rádio Comercial, Rádio SIM, RDP África, Renascença, RFM  e centenas de rádios associadas da APR (Associação Portuguesa de Radiodifusão) e da ARIC (Associação de Rádios de Inspiração Cristã) transmitiram uma emissão global em direto do Meo Arena.

O espetáculo "Juntos Por Todos", iniciativa civil produzida pela Sons em Trânsito, Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC e TVI, tem com objetivo homenagear e angariar fundos para ajudar as vítimas dos incêndios na região centro de Portugal.

As receitas do concerto “Juntos por Todos" revertem para a União das Misericórdias Portuguesas.

Para além das entidades co-produtoras, "Juntos Por Todos" conta com o apoio de inúmeras empresas e parceiros, que estão a colaborar de forma inteiramente gratuita. O concerto conta ainda com o contributo das editoras Sony Music Portugal, Universal Music Portugal, Valentim de Carvalho e Warner Music Portugal na sua divulgação artística.

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