Rodrigo Gomes, artista vencedor do Prémio Sonae Media Art em 2017, o mais importante nesta área, em Portugal, faz uma reflexão, nesta exposição, sobre um futuro em que a tecnologia determina e define os seres humanos.

A exposição, a ser inaugurada às 21:30 de 3 de maio, ficará patente até 31 de maio e é inspirada numa ideia de televendas em que, através de um registo fantasioso, procura vender uma nova tecnologia de ponta: a das mamografias por satélite, de acordo com um comunicado do The Room.

Em 2017, Rodrigo Gomes venceu o Prémio Sonae Media Art com a obra inédita “Estivador de Imagens”, e criou ainda as obras "Como Depositar Imagens no Banco" (2018), e "Jardim Ultravioleta" (2018).

Em "Mamografias por satélite", o artista cria uma utopia que descreve a chegada a Portugal de "uma tecnologia de ponta chinesa, improvável, única e nunca antes vista no planeta que pretende revolucionar o exame instantâneo via satélite".

"São 230 satélites que incorporam sensores térmicos de alta sensibilidade capazes de detetar a uma impressionante velocidade de 27.000 quilómetros por hora múltiplos seios, debaixo e fora de água e até em cabines telefónicas", de acordo com a descrição da obra em vídeo.

Esta narração parte de uma história real que ocorreu na vila algarvia de São Bartolomeu de Messines, a terra do artista, em 2002.

Na realidade, este foi um esquema de burla, fabricado por uma médica, que anunciou o exame como o último grito da tecnologia via satélite.

No decurso desta situação, foi dito, a cerca de 60 mulheres da vila, que deveriam, em dia e hora indicadas pela médica, mostrar o peito à janela ou em espaços públicos.

Nesse momento, um satélite posicionado sob a vila iria, através do disparo de um laser, captar a imagem e originar um exame de mamografia instantâneo.

Este caso acabou quando foi descoberto que tudo não passava de uma mentira. Isto não antes de a maioria das mulheres contactadas ter acabado por mostrar os seus seios no cimo do Penedo Grande, situado perto da vila.

"Fizeram-no ainda em casas de banho públicas, nas janelas das suas casas e até mesmo na única cabine telefónica de Messines, situada em frente ao mercado municipal", recorda o texto sobre a exposição.

Rodrigo Gomes, nascido em 1991, vive e trabalha em Lisboa, e o seu trabalho artístico denuncia o interesse pelo cruzamento do vídeo com a escultura, e por problemáticas em torno de imagens-ficção que alimentam dispositivos de guerra, de televigilância e publicitários.

Mestre em arte multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, estudou Arte Multimédia com especificação em Escultura na Universidade de Évora (2012-2015).

Estudou ainda arte sonora, através de uma pós-graduação na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2015-2016).

O seu trabalho encontra-se na coleção do Museu Nacional de Arte Contemporânea, coleção Figueiredo Ribeiro e em coleções privadas.

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