“(R)evolução e (R)esistência na Videoarte” é o tema do certame, que este ano assinala o 10.º aniversário, e que abre com aquele trabalho do artista português que, além de discorrer sobre a relação entre literatura e política, faz também uma reflexão sobre a proibição de livros ao longo da história, algo que se mantém na atualidade, segundo um comunicado da organização.

O centro da discussão remete para a obra homónima de Adolf Hitler, “um livro ainda hoje proibido na Alemanha”, e para a reflexão sobre a liberdade de expressão e os seus potenciais limites, lê-se no documento.

Com 10 minutos de duração, datado de 2005, o filme de Daniel Blaufuks será exibido em rotação, pelas 21:00, na Travessa da Ermida.

O claustro do Museu da Marioneta e jardins do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC), o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MNHNC) são os espaços onde, de 28 de agosto a 02 de setembro, decorre a 10.ª edição do Fuso.

“Será que os livros perigosos devem ser proibidos ou lidos e discutidos?”, é uma das questões a colocar nesta edição do festival, à semelhança do teor da obra de Adolf Hitler. Publicada pela primeira vez, em 1925, na Alemanha, trata-se do livro em que Hitler explicava o que faria se fosse eleito.

No trabalho de Daniel Blaufuks - que tem o mesmo título da obra original do ditador alemão - o fotógrafo e cineasta mostra apenas um livro a ser queimado e a desaparecer ao som de uma composição de Robert Schumann, uma peça que supostamente o comandante do campo de concentração de Auschwitz costumava tocar para as crianças e para os convidados ao fim de um dia de trabalho.

Neto de judeus asquenazes polacos e alemães, Daniel Blaufuks nasceu em Lisboa, em 1963, é licenciado pela AR.CO, tendo terminado o doutoramento na Universidade de Gales, em 2017.

No dia 29, no MAAT, serão apresentadas as obras selecionadas em concurso aberto de artistas portugueses e estrangeiros que vivem em Portugal com curadoria do diretor artístico do FUSO, Jean-François Chougnet, segundo a página oficial do evento na internet.

No dia 30, no MNAC, haverá uma sessão comemorativa dos dez anos do festival, com a apresentação dos mais recentes trabalhos em vídeo dos artistas premiados no “Open Call” bem como a trajetória artística desde a sua apresentação no certame. A curadoria é de Marta Mestre.

“A videoarte em Maio de 68” é o tema da sessão histórica a realizar, dia 31, no MNAA, com curadoria da francesa Bernardette Caille e da norte-americana Lory Zippay.

A 1 de setembro, no MNHNC, as curadoras convidadas são a brasileira Kiki Mazzucchelli e a greco-alemã Evanthia Tsantila.

No último dia do certame, no Museu da Marioneta, a curadora independente palestiniana Reem Fada, que trabalhou no projeto Guggenheim Abu Dhabi de 2010 a 2016 como curadora associada, e o Centro de Arte e Comunicação Visual – AR. CO são os curadores da apresentação de vídeos desenvolvidos pelos alunos do curso de Cinema/Imagem em Movimento.

A exibição dos filmes no Canal Lisboa, uma parceria do FUSO, AR.Co e Turismo de Lisboa, antecede a cerimónia da entrega de prémios da "Open Call".

Na programação paralela - e ainda de acordo com o site do festival -, de 27 de agosto a 2 de setembro, 18 painéis estarão espalhados em pontos estratégicos de Lisboa, numa iniciativa que pretende criar novas oportunidades para jovens artistas mostrarem os seus trabalhos.

Ao ritmo de um por dia, serão também exibidos vídeos elaborados pelos alunos do curso de Cinema/Imagem em Movimento do Ar.Co, nos ecrãs do Canal Lisboa.

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