Em conversa com o SAPO Mag, Tomás Agostinho, um dos responsáveis pelo lançamento, diz que a publicação, oficialmente lançada na mais recente edição do festival de cinema de terror Motelx, reúne quatro contos de Chambers – supostamente inspirados numa peça de teatro maldita onde a audiência era induzida a atos de loucura e conduzidos à paranoia e ao suicídio. Uma história de Ambrose Pierce, um poema e cinco ilustrações de João Pinto completam o livro.

Assim, as histórias reúnem quatro personagens e os enredos dizem respeito aos pontos de vista de cada um sobre as suas experiências na dita peça – em cuja parte final o público era então posto em contato com os terrores do “rei amarelo” – uma figura que, conforme destaca Agostinho, vem a ser um dos grandes precursores das criações monstruosas de Lovecraft.

A edição aparece coescrita por Ambrose Pierce – por uma razão: para situar no espaço as aventuras dos seus personagens, Chambers inspirou-se num local criado por Pierce, que fez uma descrição muito pormenorizada de Carcossa. É aí que vão dar os personagens na segunda metade da peça: depois de teletransportados para uma dimensão paralela, com monstros e criaturas assustadoras, são levados, através de signos amarelos, à presença do referido rei.

“1895 é um ano muito curioso”, observa Agostinho. Nesta época o universo do fantástico literário ainda estava tomado pela escrita gótica e o Chambers já a está a entrar no terror cósmico pelo qual o Lovecraft será mais tarde conhecido – trazendo um outro tipo de mitologia, com monstros e dimensões paralelas”.

Chambers acabou por ter sucesso neste que foi um desvio na sua carreira integralmente dedicada ao género policial. “Lovecraft dizia que foi uma pena ele não ter-se aventurado mais vezes pelo terror, pois seria um mestre do nível de Edgar Allan Poe”, diz o editor.

“Contos do Rei Amarelo” insere-se em mais um investimento no fantástico da editora que, junto a poucas outras, continua a insistir no género num momento em que há alguma retração do mercado português – especialmente no que se refere a autores e títulos menos conhecidos.

Sem os alargados orçamentos para “marketing” dos grandes autores internacionais, a Imaginauta busca com iniciativa e criatividade a chegada a novos públicos. Uma delas é um festival literário próprio, o Contato, que realiza-se anualmente em abril e para o próximo ano decorrerá em Marvila. “É um evento que visa expandir os laços com a comunidade e atrair o público generalista – saindo dos nichos do pessoal que normalmente consome esse tipo de ficção”, ressalta Tomás Agostinho.

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