O júri do prémio sublinha que Anne Carson “atingiu níveis de intensidade intelectual e solvência que a colocam entre os mais destacados escritores” da atualidade.

Os membros do júri destacam igualmente que, a partir do estudo do mundo greco-latino, a premiada “construiu uma poética inovadora onde a vitalidade do grande pensamento clássico funciona como se se tratasse de um mapa que convida a esclarecer as complexidades do momento presente”.

“O seu trabalho mantém um compromisso com a emoção e o pensamento, com o estudo da tradição e com a renovada presença das Humanidades como forma de alcançar uma melhor consciência do nosso tempo”, acrescenta o júri que a escolheu entre as 28 candidaturas de 17 nacionalidades que se apresentaram.

Anne Carson nasceu em Toronto (Canadá), a 21 de junho de 1950, e é professora de Literatura Clássica e Comparada na Universidade do Michigan (Estados Unidos da América).

A galardoada é também “uma reconhecida poeta, ensaísta e tradutora”, tendo uma edição bilíngue dos poemas de Safo que encontrou numa livraria “mudado a sua vida para sempre”.

"A visão das duas páginas sobrepostas, uma delas com um texto impenetrável, mas de grande beleza visual, cativou-me e comprei o livro", afirmou Anne Carson, citada pelo comunicado da Fundação Princesa das Astúrias.

A premiada desistiu duas vezes de estudar na Universidade de Toronto, devido a exigências curriculares (especialmente por causa de uma disciplina obrigatória sobre John Milton).

Depois de se dedicar durante algum tempo a trabalhar em artes gráficas, terminou os seus estudos em St. Andrews (Escócia), onde em 1986 se doutorou com uma tese sobre Safo.

Anne Carson é especialista em cultura e línguas clássicas e em literatura comparada, antropologia, história e publicidade e, segundos os críticos, “um dos mais requintados e eruditos escritores da literatura contemporânea, bem como autora de uma obra hipnótica, na qual funde estilos, referências e formatos, e aposta pelo híbrido entre o greco-latino, o medieval e o contemporâneo”.

Este é o sexto dos oito Prémios Princesa das Astúrias que vão ser anunciados este ano, depois de o destinado à Concórdia ter sido atribuído aos profissionais espanhóis de saúde, o das Artes aos compositores Ennio Morricone e John Williams, o da Comunicação e Humanidades à Feira Internacional do Livro de Guadalajara e ao Festival Hayaos, o das Ciências Sociais, ao economista turco Dani Rodrik e, o do Desporto, ao piloto espanhol Carlos Sainz.

O Prémio Princesa das Astúrias para as Letras foi atribuído em 2019 à escritora norte-americana Siri Hustvedt e, em edições anteriores, a Adam Zagajewski (2017), Richard Ford (2016), Leonard Cohen (2011), Amin Maalouf (2010), Gunter Grass (1999), Mario Vargas Llosa e Rafael Lapesa (1986), entre outros.

Os Prémios Princesa das Astúrias distinguem, em termos gerais, o “trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário” realizado por pessoas ou instituições a nível internacional e o destinado às Letras “a obra de criação e aperfeiçoamento da produção literária em todos os seus gêneros”.

Cada prémio consiste numa escultura do pintor e escultor espanhol Joan Miró – símbolo que representa o galardão -, 50.000 euros, um diploma e uma insígnia, que nos anos anteriores foi entregue numa cerimónia solene presidida pelo rei de Espanha, Felipe VI, no teatro Campoamor, em Oviedo.

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