A publicação da sua obra começará em fevereiro/março de 2022 com “Afterlives”, o mais recente romance do escritor que se radicou no Reino Unido em 1968 para fugir da perseguição religiosa no seu país.

Seguem-se “Paradise”, a obra que revelou Abdulrazak Gurnah como escritor, em maio, e “By the Sea”, em setembro.

“Paradise”, de 1994, partiu de uma viagem de investigação que o autor fez à África Oriental por volta de 1990, e inclui uma referência a Joseph Conrad.

“Afterlives”, publicado em 2020, é uma espécie de sequela de “Paradise”, pegando-lhe no ponto em que acaba: o cenário é o início do século XX, um tempo antes do fim da colonização alemã da África Oriental em 1919.

Quanto ao romance “By the Sea”, editado em 2001 e o único do autor que teve publicação em Portugal, pela Difel, em 2003, com o título “Junto ao Mar”, foca-se na identidade e autoimagem dos refugiados.

No início de 2023, a Cavalo de Ferro prevê publicar “Desertion”, romance de 2005, que usa uma história de paixão trágica para iluminar as vastas diferenças culturais na África Oriental colonizada.

“É um absoluto privilégio incluir Abdulrazak Gurnah entre os autores da Cavalo de Ferro e poder divulgar a sua obra junto dos leitores portugueses. Uma obra importante, que ajuda a repensar questões que se posicionam no centro das preocupações do mundo atual, com uma voz que ainda teima em ser considerada periférica”, afirmou o editor da Cavalo de Ferro, Diogo Madre Deus.

Abdulrazak Gurnah, nascido em 1948 em Zanzibar, na Tanzânia, foi o primeiro negro africano a ser reconhecido pela Academia Sueca em mais de 30 anos, depois do nigeriano Wole Soyinka em 1986.

Todo o seu trabalho e obra foi dedicado aos legados do colonialismo, exílio e dos refugiados, temas que refletem a sua própria experiência de vida.

O autor cresceu em Zanzibar, mas após a libertação pacífica do domínio colonial britânico, em dezembro de 1963, Zanzibar passou por uma revolução que, sob o regime do Presidente Abeid Karume, levou à opressão e perseguição de cidadãos de origem árabe, e à ocorrência de massacres.

Pertencente ao grupo étnico vitimizado, após terminar a escola Abdulrazak Gurnah foi forçado a deixar a sua família e a fugir do país, a recém-formada República da Tanzânia. Tinha então 18 anos de idade.

O autor, que vive no Reino Unido desde então, foi distinguido "pela sua penetração descomprometida e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no espaço entre culturas e continentes".

Segundo a Academia Sueca, "a dedicação de Gurnah à verdade e a sua aversão à simplificação são impressionantes. Isto pode torná-lo sombrio e intransigente, ao mesmo tempo que segue os destinos dos indivíduos com grande compaixão e compromisso inflexível".

A academia destacou ainda, na sua obra, "uma exploração interminável impulsionada pela paixão intelectual", que está presente em todos os seus livros, nomeadamente no seu mais recente romance, ‘Afterlives’.

A obra do autor será ainda publicada por outras editoras do grupo Penguin Random House, no qual se inclui a Cavalo de Ferro, nomeadamente pela chancela Companhia das Letras, no Brasil, e pela Salamandra, em língua espanhola.

Ao longo da sua carreira literária, Abdulrazak Gurnah publicou dez romances e uma série de contos. O tema da perturbação dos refugiados atravessa todo o seu trabalho, e embora o suaíli fosse a sua primeira língua, o inglês tornou-se a sua ferramenta literária.

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