O primeiro grande sucesso mundial dos Beatles foi lançado há mais de 50 anos. Quando escreveu “Love Me Do”, Paul McCartney tinha apenas 16 anos e, com John Lennon,George Harrison e Ringo Starr, viu a canção a ganhar asas até aos primeiros lugares dos tops mundiais.

Mas "Love Me Do" não foi o único êxito da banda britânica. Na edição especial da revista Billboard, o ex-Beatle Paul McCartney revela algumas das histórias por trás dos principais sucessos da banda.

"I Want To Hold Your Hand" (fevereiro de 1964)

No final de 1962, os Beatles começaram a dar os primeiros passos na conquista do Reino Unido, mas nos Estados Unidos da América a história era outra – os amantes do pop rock olharam para a banda de forma cética e estranhavam os penteados “à menina”. “Não queríamos ir para os E.U.A. sem ter uma canção no número um. Uma série de artistas britânicos foi para lá e voltou porque o público ficou um pouco desapontado. Eu disse: Não quero que seja assim. Se vamos, queremos ir em cima”, conta McCartney à revista.

“Estávamos a atuar em Paris, tínhamos um compromisso no Teatro Olympia (…) e recebemos um telegrama a dizer: Parabéns, são número um nos tops dos Estados Unidos. Pulámos nas costas uns dos outros”, conta o músico.

"Love Me Do" (maio de 1964)

Com apenas dois acordes, “Love Me Do” chegou ao primeiro lugar a 30 de maio de 1964. “O nosso material inicial é mais simples do que as coisas que fizemos depois”, explica Paul McCartney. “A canção foi muito simples e enquadrava-se na categoria de canções de fãs. As nossas primeiras músicas tinham “me” ou “you””, explica o Beatle, acrescentando que diziam aos fãs sem vergonha “ama-me” ou “quero segurar a tua mão”.

The Beatles

"Help!" ( setembro de 1965)

Depois de dois anos de gravações, de digressões que pareciam não ter fim e com John Lennon infeliz devido ao casamento, McCartney teve a missão de compor uma nova canção. “Transformei a casa do John para uma sessão de composição (…) E vi a oportunidade de adicionar um descant (melodia no segundo verso) e terminámos [a canção] rapidamente: Descemos e cantámos para a mulher do John naquela altura, a Cynthia, e para um jornalista”, revela o cantor.

Embora a tristeza tenha sido disfarçada com o ritmo alegre da música, Lennon disse que se sentia “gordo e deprimido e a gritar por ajuda”.  À Billboard, McCartney explica ainda que John estava sempre à procura de ajuda. “Ele achava que as pessoas morriam quando ele estava por perto: o pai dele saiu de casa quando John fez três anos, o tio com quem viveu morreu três anos depois de a sua mãe morrer. Acho que toda a vida de John era um grito por ajuda”, revela.

"Hey Jude" (setembro de 1968)

“Estava no caminho para ir vê-lo [Julian], depois de John [Lennon] e de Cynthia se terem divorciado e, porque tinha uma boa amizade com Julian [filho de John Lennon], veio-me à cabeça: Hey, Jules, não fiques mal”, lembra McCartney. “É uma canção de esperança”, acrescenta.

Mais tarde, o músico decidiu mudar “Jules” para “Jude”: “Tinha ouvido o nome num musical – Carousel, acho eu: ‘Jude está morta’, ou algo do género. Eu não tinha percebido que ‘Jude’ significa ‘judeu’ [em alemão] e isso causou algumas confusão e... um homem ficou bastante irritado comigo”. O homem ficou tão zangado que, depois de ver pintado numa janela “Hey Jude”, partiu o vidro com uma garrafa de sifão de soda.

Paul McCartney não desvenda para quem é que escreveu a canção e mistério permanece. Porém, John Lennon suspeitava que o tema era sobre a sua relação com Yoki Ono. McCartney não confirma, apenas revela que as primeiras linhas são sobre Julian, filho de Lennon.

 

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