Em entrevista no contexto dos 20 anos do Remix Ensemble, que coincidem com as duas décadas da Orquestra Sinfónica do Porto e com os 15 anos da Casa da Música, Peter Rundel realçou que o trabalho vindouro é “muito acerca de continuidade, mas é necessário ter perspetivas para o futuro”.

“Gostávamos de aumentar o nosso contacto com o público, queremos comunicar no sentido em que nos concertos haverá conversas com os compositores, talvez uma introdução em peças mais complicadas. Neste campo da música contemporânea temos de pensar muito em comunicação. Em como atrair as pessoas”, afirmou o maestro alemão, com contrato até 2021 e vontade de continuar a trabalhar com o ‘ensemble’.

Adicionalmente, o Remix gostaria de “aumentar a sua interação com jovens músicos”. “Temos neste momento músicos com bastante experiência e chegou o momento a passar aos mais jovens. Temos uma colaboração com a ESMAE [Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo], gostaríamos de fazer mais nesse campo. Não apenas ter os concertos na casa, mas ter uma ligação mais profunda ao que está à nossa volta”.

Peter Rundel reconhece que para o “espectador médio, que tem um dia de trabalho árduo e depois tem de decidir se vai a um concerto, ao museu ou a outra coisa”, pode ser um “maior desafio” assistir a um concerto de música contemporânea, de algo que não conhece ou espera.

Questionado sobre eventuais entraves causados por limitações financeiras, Rundel confirma que, se falar com os músicos, “eles gostariam de fazer ainda mais”.

“É ainda a grande diferença para os outros 'ensembles' [europeus], eles conseguem ter um calendário mais denso. Temos um privilégio que é termos tempo de ensaio suficiente, fazemos trabalho de muito elevada qualidade, mas claro que gostávamos de expandir em termos de quantidade”, afirmou o maestro, precisando que o ideal – sem ser “completamente irrealista” – seriam mais “dois, três ou quatro projetos por ano”.

“Vejo muito do que os outros ‘ensembles’ estão a fazer e todos têm os mesmos problemas, porque nos últimos 10, 15 anos desenvolveram-se novos ‘ensembles’, então os produtores têm sempre a possibilidade de escolher alguém que está perto e não tem estas despesas elevadas de deslocação como alguém que vem do Porto. Então temos de os atrair através de ideias específicas e programas”, afirmou Peter Rundel.

Formado em 2000, cinco anos antes da inauguração da Casa da Música, o Remix Ensemble já fez a estreia mundial de mais de 90 obras, de compositores como Wolfgang Rihm, Georg Friedrich Haas, Wolfgang Mitterer e Daniel Moreira, além de trabalhos de Pascal Dusapin, Georges Aperghis e Peter Eötvös.

Com uma grande ligação ao compositor português Emmanuel Nunes (1941-2012), o Remix Ensemble interpretou, em estreia mundial, a ópera "Giordano Bruno", de Francesco Filidei, e "Quartett", de Luca Francesconi. O seu ciclo do 'Anel', de Wagner, levou-o a múltiplos palcos europeus.

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