"Tal como Cervantes escreveu 'Dom Quixote' para satirizar a cultura do seu tempo, Rushdie transporta o leitor numa desvairada corrida através de um país à beira do colapso moral e espiritual", referem as Publicações D. Quixote, que projetam a edição do romance para 15 de setembro, dois dias após o fecho das feiras do livro de Lisboa e do Porto, numa tradução de J. Teixeira de Aguilar.

Os Estados Unidos são o país em causa, numa perspetiva desenhada através do seu território, da cultura popular, dos excessos da sociedade, das relações interpessoais e do racismo sempre presente.

"Quichotte" é uma metaficção que tem por protagonista um escritor de origem indiana, Sam DuChamp, autor de livros de espionagem, que se afasta do seu universo, e cria uma nova personagem, Ismail Smile, que persegue obsessivamente uma antiga estrela de Bollywood, através dos Estados Unidos, ao volante do seu Chevrolet Cruze, com a cumplicidade do seu companheiro imaginário, Sancho.

A trama surgiu a Rushdie na sequência do seu regresso às obras de Miguel de Cervantes e do reconhecimento da modernidade da obra do escritor renascentista espanhol, como afirmou nas entrevistas de apresentação da obra, quando da sua publicação no Reino Unido, em agosto do ano passado.

O mecanismo de "O Engenhoso Fidalgo D. Quixote", um romance com personagens que se sabiam observadas pelo seu autor, que sobre as escrevia, fascinou Rushdie, que decidiu avançar para “Quichotte”, construindo uma ficção sobre outra ficção.

"Quichotte" foi finalista do Man Booker Prize 2019 e inserido na lista dos melhores livros do ano da revista Time.

A chegada do novo título de Salman Rushdie às livrarias portuguesas será antecedida, no dia 8, pelo romance "A Vida Brinca Comigo", do autor israelita David Grossman, numa tradução de Lúcia Liba Mucznik.

Esta é a história de uma mulher que, por ocasião do aniversário da mãe, Vera, quer conhecer as suas origens. Vera, uma judia croata, na então Jugoslávia, apaixonara-se pelo pai, Milosz, filho de camponeses sérvios. Deportada para o campo de concentração da ilha deserta de Goli Otok, no Mar Adriático, abandonara a filha quando esta tinha apenas seis anos.

"A Vida Brinca Comigo" surge pelas Publicações D. Quixote, que também lançam, no dia 22, o livro de contos "Alamedas Escuras", de Ivan Búnin (1870-1953).

Em 1933, o escritor tornou-se no primeiro autor russo a receber o Nobel da Literatura, "pelo verdadeiro talento artístico com que recriou em prosa o carácter russo típico", afirmou na ocasião a Academia Sueca.

De acordo com o Grupo Leya, este contos, "escritos entre 1938 e 1944, ambientados no contexto das crises culturais e históricas russas das décadas anteriores, centram-se em ligações obscuras e eróticas".

"Alamedas Escuras" tem tradução para português de Nina e Filipe Guerra.

No mesmo dia, 22 de setembro, chega às livrarias "A Faca", de Jo Nesbo, numa tradução de C.S.C. Marques.

Esta obra venceu, no ano passado, o Prémio Riverton, que distingue as melhores narrativas norueguesas de crime.

A abrir o mês, no dia 01, sai a 3.ª edição de "Pátria", de Fernando Aramburu, romance originalmente editado em 2016, distinguido com o Prémio Nacional da Crítica em Espanha, e o Prémio Giuseppe Tomasi di Lampedusa International.

O romance, sobre o grupo terrorista basco ETA, foi adaptado à televisão. A série filmada ficará disponível em Portugal, através da plataforma HBO.

No final do mês, em 29 de setembro será publicada "A Vida Secreta da Cozinha Portuguesa", de Guida de Cândido, autora distinguida com o prémio Gourmand 2016, na categoria Receitas Históricas, e com o prémio Portugal Cookbook Fair, em 2017, na categoria Livro do Ano.

Guida de Cândido é licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e concluiu em 2014 o Mestrado em Alimentação - Fontes, Cultura e Sociedade, pela mesma universidade.

Nesta obra, Guida de Cândido revela a origem do escabeche, das pataniscas e da caldeirada, assim como do cozido à portuguesa, de tripas e rojões, do pastel de nata, da marmelada, do bolo-rei, do arroz-doce e de rabanadas.

Pela Casa das Letras, também do Grupo LeYa, é publicado, no dia 15, o título "Os Nove Braços do Hanukiah", da advogada Rita Mayer Jardim. Esta é a história do desaparecimento de um candelabro do museu da sinagoga de Savannah, na Geórgia, nos Estados Unidos, sendo deixada no seu lugar "uma estranha mensagem em português", adianta a editora.

Também pela Casa das Letra surgirá "A Vida na Sombra", autobiografia de Amaryllis Fox, de 39 anos, antiga agente da CIA (Central Intelligence Agency), que durante oito anos "perseguiu terroristas em 16 países".

Outra editora do Grupo LeYa, a Oficina do Livro, publica, no dia 08, "Dilúvio sem Deus - As Grandes Cheias do Tejo de 1967", de Joana Amaral Dias, obra que atravessa a catástrofe de novembro de 1967, na área metropolitana de Lisboa, causando centenas de mortos, numa devastação evidente, que a ditadura da época se esforçou por esconder.

No dia 15, as Publicações D. Quixote lançam "Deus e o Mercado", com autoria tripartida pelo economista e professor catedrático João César das Neves, padre Vítor Milícias e o jornalista Nicolau Santos.

Na área infantojuvenil, a Oficina do Livro publica "Os Que Desapareceram em Auschwitz - A História Real da Minha Família em Auschwitz", do britânico Michael Rosen, sobre o que foi o campo de concentração e extermínio nazi, durante a II Guerra Mundial (1939-1945), onde se estima que mais de um milhão de pessoas tenham sido assassinadas, no contexto do genocídio empreendido por Hitler.

A fechar o mês, no dia 29, é publicado, pela Casa das Letras, "Alcora", de Vicente Paiva Brandão, que, segundo a editora, "revela um grande segredo da História contemporânea, desconhecido até há pouco tempo: a derradeira tentativa de manter o Ultramar português", dando conta de "um acordo militar secreto que uniu Portugal, África do Sul e a Rodésia entre 1970 e o 25 de Abril de 1974".

Também no dia 29 é publicada nova investigação do historiador britânico Ian Kershaw, especialista da II Guerra Mundial e nos crimes do nazismo. "A Sorte do Diabo" aborda a "Operação Valquíria", tentativa falhada de morte de Adolfo Hitler, levada a cabo em julho de 1944. O líder nazi sucumbiu apenas após a queda de Berlim, em abril de 1945.

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