“Devo muito à Universidade de Coimbra”, afirmou o galardoado, na cerimónia em que recebeu o prémio, no valor de 25 mil euros, das mãos do reitor João Gabriel Silva.

Ao intervir perante professores, estudantes, funcionários e convidados, na sessão comemorativa do 728.º aniversário da UC, na Sala dos Capelos, o musicólogo, historiador cultural e professor universitário Rui Vieira Nery recordou momentos do seu trabalho com docentes e investigadores da mais antiga universidade portuguesa, incluindo algumas das suas realizações na área da música na cidade.

Em janeiro, quando foi anunciado como vencedor do Prémio Universidade 2018, reagiu à decisão do júri com um “turbilhão de sentimentos”, referiu, explicando que à surpresa com que acolheu a notícia sucederam “a humildade e a gratidão” no momento em que, hoje, o galardão lhe foi entregue.

Na sua opinião, a Universidade de Coimbra não se destaca entre as congéneres portuguesas e de outros países apenas pela longevidade – foi fundada em Lisboa, em 1290, e transferida definitivamente para a cidade do Mondego em 1537 – mas pelo “rigor do pensamento e da liberdade” que lhe foi reconhecida ao longo dos séculos e na atualidade.

Criado em 2004, com patrocínio do banco Santander Totta e apoio do Jornal de Notícias, o Prémio Universidade de Coimbra já distinguiu o crítico gastronómico José Quitério, o antigo reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, o cineasta Pedro Costa, o músico e compositor António Pinho Vargas, a cientista Maria de Sousa, o investigador catedrático de química Adélio Mendes, o artista plástico Julião Sarmento, a especialista de estudos clássicos Maria Helena da Rocha Pereira e a coreógrafa Madalena Vitorino, entre outros nomes.

Esta “sequência de nomes maiores” da cultura e da ciência em Portugal “demonstra uma visão lúcida” relativamente ao papel do conhecimento da sociedade, segundo Rui Vieira Nery.

Aos 60 anos, nascido em Lisboa, o musicólogo assumiu-se como um homem de “liberdade e tolerância”, que ao longo da vida se tem empenhado na concretização do “direito a tentar ser feliz”.

Quase a terminar a conferência que cabe aos premiados apresentar no momento em que são agraciados pela Universidade de Coimbra, Rui Vieira Nery citou Maria José Azevedo Santos, professora catedrática da Faculdade de Letras da UC.

“Há muito que o consideramos da nossa casa”, disse-lhe um dia a ex-diretora do Arquivo da Universidade de Coimbra, que foi também vereadora da Cultura da Câmara Municipal local.

Professor da Universidade Nova de Lisboa e diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas (na Fundação Gulbenkian também foi diretor-adjunto do Serviço de Música e diretor do programa Educação para a Cultura), Rui Vieira Nery é licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa e doutorado em Musicologia pela Universidade do Texas, em Austin.

Entre outros, o filho do guitarrista de Lisboa Raul Nery desempenhou ainda os cargos de comissário das comemorações do centenário da República Portuguesa e de presidente da comissão científica da candidatura do fado à lista representativa do património cultural imaterial da Humanidade, aprovada depois pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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