A partir da dramaturgia de Francisco Luís Parreira, o espetáculo – que se estreou no passado dia 9 no Teatro Carlos Alberto, no Porto - quer pôr os espectadores a pensar nas verdades e nas mentiras que se contam sobre as histórias do Ultramar.

Uma destas histórias relata um imaterial confronto entre soldados de uma patrulha e uma manada de antílopes na savana inexplorada.

Não sendo uma “peça completamente positiva” por abordar “momentos fatais, dolorosos e trágicos”, o encenador, João Garcia Miguel, explicou que “Um Plano de Labirinto” é, sobretudo, uma peça interrogativa, crítica e que instala a perplexidade.

“A necessidade de explicar o mundo é julgar que se pode caminhar para trás, absorvendo tudo aquilo que se perdeu, quando nos confrontamos com a surpresa do que é viver”, acrescentou aos jornalistas, no final de um ensaio de imprensa, João Garcia Miguel, que também assina a direção e o espaço cénico do espectáculo.

O texto sobre o desencontro e o encontro com a morte é, ainda, a história de um náufrago, poeta e herói trágico, que atravessa o rio Tejo para fugir de um amor e de um continente perdido que nunca conheceu.

O poeta é um “super-Camões”, que dedica os seus poemas a uma mulher mulata, representada por uma deusa africana, uma mulher sagrada que é obrigada a abandonar a sua casa para fugir à guerra, rumo à Europa.

João Garcia Miguel adiantou que a peça retrata uma “história de amor entre um europeu e uma africana, entre um branco e uma negra”, que não é mais do que uma “história de amor entre Portugal e Angola”.

“O casal não conseguiu viver por questões pessoais e raciais”, lembrou, acrescentando que o poeta vive uma “crise terrível a nível profissional e pessoal”.

Na verdade, esta “crise existencial” do escritor é também sinónimo de uma época em crise, que colocou pessoas em dificuldades e que acentuou ainda mais as fragilidades existentes, disse.

O ator João Lagarto, que veste a pele do poeta, reforça a existência da luta “interior e exterior” que vive e que o “agarra, sufoca, apaixona e dececiona”.

“Era uma história de amor que prometia tudo, mas que, por medo e cobardia dele, acabou por não avançar”, contou a intérprete Sara Ribeiro, no papel de Vera.

A peça "Um Plano do Labirinto" pode ser vista na sala Bernardo Sassetti, no Teatro S. Luiz, até 2 de fevereiro, com sessões de quinta-feira a domingo, às 19:00.

Sara Ribeiro e Paulo Mota completam o elenco de "Um Plano do Labirinto", que tem coreografia de Lara Guidetti e figurinos de Rute Osório de Castro.

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