Coprodução do Teatro Griot e dos Artistas Unidos (AU), “Ventos do Apocalipse” terá três representações no Cine-Teatro da Academia Almadense, na sexta-feira, no sábado e no domingo, e tem como pano de fundo a guerra em Moçambique, no período pós-independência.

Na construção da peça, o ator e encenador Noé João, que também assina o texto, partiu da ideia de levar para o palco “a memória da guerra, da procura do lugar de conforto, da terra prometida”, disse à agência Lusa.

“É esta terra prometida que está no espetáculo” que o ator afirma ter construído a partir de recordações próprias e de situações e de momentos do texto original da escritora que em 2021 venceu o Prémio Camões.

Um “drama” que o encenador pretende que convoque o público a “refletir” e a “colocar-se no lugar do outro”. E que se questione sobre até que ponto “as nossas memórias, as nossas vivências influenciam, nos dias de hoje”, porque o espetáculo carrega essa procura.

“E agora, onde está a nossa casa?”, pergunta uma personagem da peça, ao que outra lhe responde “Qual casa? Que casa queremos agora?”

Questões que, segundo o encenador, "não se limitam à busca de apenas um teto, mas também à procura de um país, do país que se quer construir e do lugar de pertença de que se quer fazer parte”.

Será que pertenço a este sítio, a este espaço, a este país? Estas são questões que atravessam o pensamento das personagens de “Ventos do Apocalipse” quando ao fugir da guerra começam a caminhar rumo a uma terra prometida, interrogando-se, em simultâneo, se essa será um lugar de conforto para todos.

Como o livro da primeira autora moçambicana a publicar um romance é “denso”, Noé João optou por não fazer um espetáculo “da palavra”, mas antes uma peça que “ganha muito” no movimento, na luz, no som e na conjugação com o corpo de quatro atores negros, três de África e outro do Brasil.

Dois homens e duas mulheres fazem essa composição no espaço cénico, numa peça que tem pouco texto e em que as falas estão mais nos silêncios do que nas palavras pronunciadas.

Após as três representações em Almada, “Ventos do Apocalipse” estará em cena no Teatro da Politécnica, em Lisboa, de 13 a 29 de julho, com sessões de terça a quinta-feira, às 19h00, à sexta, às 21h00, e ao sábado, pelas 16h0o e 21h00.

A interpretar estão a brasileira Ana Paula Monteiro, os angolanos Daniel Martinho e Huba Mateus e a guineense Rolaisa Embalo.

O espetáculo tem luz de Pedro Domingos, som de André Pires e cenografia e figurinos de Daniel Martinho e Noé João.

Vinte espetáculos, oito dos quais portugueses e doze estrangeiros, preenchem o programa de teatro da 40.ª edição do Festival de Almada, que se distribuem por nove palcos da cidade (Teatro Municipal Joaquim Benite, Escola D. António da Costa, Fórum Romeu Correia, Incrível Almadense, Academia Almadense) e pelo Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O festival encerra no próximo dia 18. A programação pode ser consultada em https://festival.ctalmada.pt/.

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