“Acho que é um momento muito crucial. Taiwan é independente há mais de 70 anos, mas a China é uma potência e continua a reclamar [a ilha] como seu território”, afirmou o artista dissidente chinês, quando questionado pela agência Lusa, sobre o agravamento de tensões, na sequência da visita de Pelosi à região.

“A China quer alcançar o que deseja”, prosseguiu Ai Weiwei, referindo-se ao domínio sobre o território que Pequim reclama.

“Mas não é fácil, pois ninguém em Taiwan quer que tal aconteça”, concluiu o artista, durante uma visita ao Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

O Governo do Partido Comunista Chinês reclama a soberania sobre a ilha desde que os nacionalistas do Kuomintang liderados por Chiang Kai-shek foram derrotados pelas forças comunistas chefiadas por Mao Tsé-Tung durante a guerra civil na segunda metade da década de 1940.

Os nacionalistas refugiaram-se na ilha do Estreito da Formosa e estabeleceram em Taiwan, em 1949, a República da China (ROC - sigla oficial) - fundada em 1912 por Sun Yat-sen, em Nanquim.

Radicado em Portugal, Ai Weiwei tem-se assumido como um defensor da democracia e direitos humanos na China, levando à condenação das suas declarações pelo Governo chinês.

Ai Weiwei fazia uma visita à exposição coletiva “Primeira Pedra”, que se encontra patente no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, e que engloba mais de sete dezenas de peças, de 36 criadores, de diferentes países, entre os quais o próprio artista chinês, dissidente, exilado desde 2015, atualmente a residir em Portugal.

Nancy Pelosi, presidente do Congresso norte-americano, chegou na noite de terça-feira a Taiwan e visitou hoje o Parlamento tendo-se também encontrado com a chefe de Estado da República da China, Tsai Ing-wen, a quem transmitiu "apoio".

A deslocação de Pelosi agravou as tensões na zona, tendo Pequim considerado a visita uma "grande provocação".

Há um ano, pouco antes de inaugurar a exposição “Entrelaçar” na Fundação de Serralves, no Porto, o artista chinês, em entrevista à agência Lusa, disse acreditar que a humanidade vai ser capaz de viver para lá das ambições autoritárias.

“Continuo a denunciar, com a minha voz. É tudo o que posso fazer”, declarou então o artista sobre os regimes autoritários, e o da China, em particular.

“A razão pela qual eu faço o esforço é porque penso que devemos respeitar a vida. Todas as vidas. Todas as vidas foram criadas iguais por algumas forças desconhecidas. Todas têm potencial, sonhos, e todos esses sonhos podem ser desfeitos por causa de alguma loucura ou situação selvagem. Respeitar a vida é o objetivo. E nunca esquecer. Isso significa que vimos de um caminho longo, de gerações de pessoas, que fizeram um esforço para chegar até nós hoje. E nós também temos de fazer o esforço pela próxima geração. Exigir certos valores, estabelecer certos valores, dizer ‘não podes tocar nisso, é o mais precioso’”, disse o artista.

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