Ao ler a sinopse ou ao ver as primeiras imagens de "Industry" poderá ficar com a ideia de que se trata de mais uma série sobre o mundo empresarial, onde homens brancos e privilegiados usam o seu poder. Mas a nova série da HBO, que estreia esta terça-feira, dia 10 de novembro, em Portugal, quebra com todos os preconceitos e aborda vários temas, desde a raça às questões de género.

"É uma série de entretenimento, muito divertida e super viciante. Vais querer ver sempre o próximo episódio. Tem muita diversão, boa música, é envolvente e sexy", começa por frisar Konrad Kay, um dos criadores da série, em conversa via Zoom com vários jornalistas de todo o mundo. "Mas não podíamos escrever sobre o mundo do trabalho e fazer uma série contemporânea sem falar sobre luta de classes, género e raça", sublinha ao SAPO Mag.

Veja o trailer:

Criada pelos estreantes Mickey Down e Konrad Kay, que trabalham no mundo da banca e que usaram a sua experiência profissional para escrever o argumento, "Industry" acompanha um grupo de jovens recém-licenciados que tenta lutar por um emprego num banco internacional de investimentos em Londres. O primeiro episódio, que estreia esta terça-feira em Portugal, foi realizado por Lena Dunham, de "Girls".

Para os criadores, o drama de oito episódios oferece um olhar ao interior da caixa negra das 'altas finanças', pelo ponto de vista de jovens muito diferentes. "É um drama sobre cinco jovens que entram na banca. São de origens socioeconómicas muito diferentes - brancos, da classe trabalhadora; jovens com várias nacionalidades, como britânicos ou indianos; negros da classe alta", explica Mickey Down.

"Sabemos que, quando se entra numa instituição como esta, é dito que é uma meritocracia e que todos podem começar ao mesmo nível", sublinha o criador da série da HBO, lembrando que nem sempre é assim.

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Para lá do mundo empresarial, a série foca-se também na vida dos jovens - sexo, drogas, relacionamentos e dilemas da geração são alguns dos tópicos dos episódios.

Para Myha’la Herrold ("Modern Love"), que veste a pele de Harper Stern, o grande trunfo da série é a capacidade de abordar uma história sobre o mercado empresarial e não se centrar apenas em homens ricos que usam fatos. "O que mais gosto na série é como ela transporta a diversidade que existe no mundo para dentro do mercado financeiro", confessa.

"Muda-se aquela ideia de que é um universo dominado só por homens brancos, ricos e mais velhos. Neste sector, assim como em muitos outros, existe uma nova onda a chegar com mais variedade de géneros e raças, que vão ganhando voz", acrescenta Myha’la Herrold em entrevista.

Além de Myha'la Herrold, a série conta com a participação de David Jonsson, um antigo aluno de Oxford que sempre sonhou trabalhar na Pierpoint. Para o jovem ator, o mundo da banca é só a base da primeira temporada: "Não é sobre sistema financeiro, mas sobre jovens e suas difíceis escolhas".

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Harry Lawtey também faz parte do elenco da nova produção da HBO. Para o ator, os temas relacionados com a geração Z são um dos trunfos que pode conquistar os espectadores. "A série é sobre jovens, as escolhas que fazem e como querem serem vistos pelos outros", frisa, acrescentando que a série aborda temas relacionados com a "sexualidade, questões de género e raça".

Tal como os protagonistas de "Industry", o elenco também é formado por jovens que estão a dar os primeiros passos no mundo da representação. "É um projeto muito ambicioso, com uma grande produção. E estávamos no centro de tudo isto. Claro que sentimos alguma pressão", confessa  Harry Lawtey. "O desafio foi sermos capazes de fazer as coisas que sempre fizemos em escalas mais pequenas, mas nesta grande escala. Tivemos de pegar no que aprendemos na escola e em outros projetos e usar aqui. O importante é ter sempre calma e acreditar que estamos aqui por alguma razão", acrescenta.

"Somos todos atores jovens e a dar os primeiros passos (...) Estávamos todos no mesmo barco e ajudámos-nos uns aos outros", garante o britânico.

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Para Marisa Abela, britânica que interpreta Yasmin, jovem de origem abastada que ingressa no Pierpoint, também foi um desafio juntar-se ao elenco. Em conversa com os jornalistas, a atriz confessa que não tinha nenhuma ligação com o mundo empresarial, mas que o Google foi uma grande ajuda: "O meu trabalho é convencer as pessoas de que sou alguém que eu não sou. O eu que fiz foi procurar algumas palavras do guião no Google".

"Duvido que alguém tenha coragem para me dar o seu dinheiro para eu o gerir", brinca Marisa Abela, acrescentando que se identificou com algumas das questões abordadas ao longo dos episódios da primeira temporada: "Quando li pela primeira vez o guião, senti que havia algo com o qual todas as pessoas se podiam relacional, como o stress e ansiedade que sentes quando és jovens e estás numa sala cheia de adultos que sabem o que estão fazer e tu não sabes ainda".

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A juntar à oportunidade de fazer parte do grupo de protagonista da série da HBO, os atores celebram ainda o facto de o primeiro episódio ser realizado por Lena Dunham ("Girls").

Para Harry Lawtey, foi uma ajuda fundamental para todos. "Foi brilhante... ela foi brilhante. Tem uma energia sem fim e que chega a todos os cantos (...) Ela é uma verdadeira realizadora de atores. Ela percebe os atores e isso faz-nos sentir confortáveis e confiantes. Apesar de sermos um pouco novos, frescos e de estarmos nervosos, ela quis ouvir as nossas ideias, o que foi muito importante", frisa.

Além de Myha'la Herrold, Marisa Abela, Harry Lawtey e David Jonsson, a série conta com a participação de Nabhaan Rizwan ("1917"), Conor MacNeill ("Artemis Fowl"), Freya Mavor ("Skins"), Will Tudor ("A Guerra dos Tronos") e Ken Leung ("High Maintenance").

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