Ainda não foi este ano que um filme português conseguiu conquistar a primeira nomeação aos Óscares: “Tio Tomás – A Contabilidade dos Dias” estava na short-list de filmes que poderiam chegar à nomeação ao Óscar mas acabou por não conseguir chegar à lista final de cinco nomeados.

"Tio Tomás - A Contabilidade dos Dias”, de Regina Pessoa, que é também narrado pela própria cineasta, recorda um tio seu, visto como uma figura excêntrica por aqueles que o rodeavam mas cujas inclinações artísticas seriam importantes no desenvolvimento da realizadora.

O filme ganhou os mais diversos prémios internacionais, nomeadamente o Prémio Especial do Júri e o Prémio para a Melhor Música Original (da autoria do canadiano Normand Roger), no Festival Internacional de Animação de Annecy, estando ainda nomeado para os Annies.

Nascida em Coimbra em 1969, Regina Pessoa licenciou-se em Pintura na Universidade do Porto e fez parte de geração de artistas que revolucionaria a animação portuguesa a partir de meados dos anos 90, e que conquistaria as mais elevadas distinções internacionais no século XXI. Desde o início que trabalhou com o também incontornável realizador Abi Feijó na função de produtor, primeiro na Filmógrafo e atualmente na Ciclope Filmes.

TRAILER "TIO TOMÁS - A CONTABILIDADE DOS DIAS".

Em declarações divulgadas este domingo pela Agência Lusa, Feijó disse “a Regina, para fazer este filme, teve de trabalhar quase 16 horas por dia. Ela gosta de preparar tudo com muito detalhe e muita minúcia e isso implica muita dedicação. É um trabalho gigantesco”, rematando que a nomeação seria muito importante também para dar até nacional e internacionalmente “uma visão reforçada da qualidade da animação portuguesa”.

Já em 2006, com “História Trágica com Final Feliz”, Regina Pessoa tinha chegado à “short-list” dos Óscares mas não tinha conseguido integrar os cinco nomeados finais. Seguiu-se uma nomeação aos Annies por “Kali, o Pequeno Vampiro” mas sem chegar às estatuetas douradas mas à terceira foi de de vez: “Tio Tomás – A Contabilidade dos Dias” chegou finalmente à tão ambicionada nomeação ao Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação.

Em entrevista dada há poucos dias ao SAPO Mag, Regina Pessoa explicava que “a verdade é que a relação com esse mercado [norte-americano] e esse universo, a que nós portugueses somos um pouco alheios, foi longa e crescendo e ganhando confiança ao longo destes três filmes”.

Com aquele primeiro filme, a realizadora fez a primeira digressão nos EUA. “Apesar de não ter sido nomeado, foi útil o iniciar dessa relação, porque eles são anglófonos e existe uma maior recetividade a filmes de um determinado eixo do planeta do qual nós, latinos, estamos um pouco excluídos. Quando voltei a fazer a turné com o “Kali…”, já senti diferenças, havia pessoas que se lembravam do meu trabalho anterior, e agora com o “Tio Tomás…”, ao voltar a fazer o percurso nos EUA havia muito mais gente que se recordava dos meus filmes anteriores e dizia estar contente por me voltar a ver. E claro que tudo isto conta”, sublinhou então a realizadora.

Nessa mesma entrevista, Regina Pessoa assinalava já a relevância de uma nomeação para o Óscar no contexto português: “é um canal, é uma porta que se abre para o cinema nacional. Quando outro filme tiver a etiqueta de Portugal, pelo menos esse nome já não será desconhecido na Academia. Penso que é muito importante”, rematou.

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