A San Diego Comic-Con International é hoje em dia o maior evento do mundo ligado à cultura geek e às artes populares, como a BD, o cinema, as séries televisivas de recorte fantástico e os jogos de vídeo. Com cerca de 125 mil visitantes anuais, trata-se do local onde se fazem os anúncios e as revelações mais importantes, onde os fãs conhecem os seus ídolos, onde todo o tipo de «merchandising» se comercializa e onde toda a gente se pode vestir como a sua personagem favorita. O paraíso «geek» em toda a sua plenitude, portanto, lugar de encontro de paixões, troca de experiências e convívio com almas-gémeas dos quatro cantos do mundo.

De facto, até a todo-poderosa Hollywood já se vergou ao impacto da Comic-Con, e não há estrela de primeira grandeza que não vá lá apresentar o seu próximo «blockbuster» perante uma audiência directa de milhares de pessoas, que imediatamente amplifica as novidades para milhões em todo o planeta. A convenção já é o centro do mundo para os amantes do fantástico, local de romaria anual para dezenas de milhares de fãs, onde soldados do «Star Wars» se cruzam com lolitas japonesas, em busca de autógrafos e fotografias tanto de estrelas de dimensões planetárias como de figuras só conhecidas e idolatradas por um punhado de «happy few».

Mas claro que nem sempre foi assim: no início, a Comic-Con era apenas mais uma convenção de banda desenhada, como tantas que começavam na altura a fazer o seu caminho nos EUA, onde o «fandom» ligado aos quadradinhos começava a ganhar fôlego. Foram três dias no U.S. Grant Hotel de San Diego, entre 1 e 3 de agosto de 1970, com uma audiência de cerca de 300 visitantes. Entre os convidados, estavam nada menos que o grande mestre da BD Jack Kirby, os incontornáveis escritores de ficção científica Ray Bradbury e A.E.von Vogt, e ainda o grande divulgador e colecionador Forrest J Ackerman.

Sheldon «Shel» Dorf foi um dos grandes criadores da Comic-Con, um fã de BD que na década de 60 já organizava encontros entre fãs na sua Detroit natal, atividade que quis prosseguir em escala maior quando se mudou San Diego, California. A 21 de março de 1970, organizou então uma espécie de edição zero da Comic-Con, de apenas um dia, já no U.S. Grant Hotel, que acolheu 145 visitantes e que pretendia abrir caminho ao evento maior que decorreria cinco meses depois. Richard Alf, Ken Krueger e Mike Towry também foram nomes importantes na fundação.

Desde então, a Comic-Con não tem parado de crescer e abriu o leque a todo o género de manifestação da cultura «geek»: cinema, séries de televisão, jogos de vídeo, «manga» e «anime», bonecos e merchandising variado, jogos de cartas, ficção fantástica e de terror, tudo vale e tudo se encontra na Comic-Con, com painéis, workshops, seminários e venda de autógrafos e desenhos originais.

O U.S. Grant Hotel rapidamente se tornou pequeno para acolher a manifestação e o evento conheceu outros espaços até se estabelecer em definitivo no San Diego Convention Center em 1991, onde não tem parado de crescer de ano para ano.

Inicialmente, a aquisição de revistas de BD e, com alguma sorte, o contacto com os artistas do meio, era a razão principal para ir à Comic-Con. Na última década e meia, os painéis com apresentações de novidades nas várias áreas passaram a estar entre os maiores motivos de interesse. São cada vez mais as estrelas de Hollywood que por çá aparecem e cada vez mais as novidades a serem apresentadas em primeira mão. As séries de televisão estão a ganhar cada vez mais espaço nas apresentações: segundo a «Variety», em 2011, estiveram presentes pelo menos 80 séries na Comic-Con e «apenas» 35 novos filmes.

Um dos pontos altos da Comic-Con é a atribuição dos The Will Eisner Comic Industry Awards, mais familiarmente conhecidos como Eisner Awards, considerados uma espécie de Óscares da banda desenhada. Os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1988 e têm o nome de um mais importantes autores de BD de sempre, criador da série «The Spirit» e o principal impulsionador da «graphic novel» nos EUA.

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