Dois documentários portugueses que registam rotinas, gestos, processos de aprendizagem e crescimento nas escolas de música e de dança do Conservatório Nacional estreiam-se na quinta-feira nos cinemas portugueses.

"Il sogno mio d'amore", de Nathalie Mansoux e Miguel Moraes Cabral, acompanha dois anos, entre 2014 e 2016, do quotidiano da escola de música do conservatório, no antigo convento dos Caetanos, em Lisboa, atualmente encerrado para obras.

"Infância, adolescência, juventude", de Rúben Gonçalves, documenta três momentos fulcrais no percurso letivo de quem decide estudar dança, a partir das filmagens no ano letivo 2014-2015: A entrada na escola, a etapa de conclusão do 9.º ano e a saída da escola.

Apesar de a estreia dos dois documentários ter sido uma coincidência, por questões de calendário, há uma ressonância temática entre ambos.

Produzido pela O Som e a Fúria e exibido em 2018 no festival DocLisboa, "Il sogno mio d'amore" versa sobre "a linguagem no ensino musical", com a componente de som a ganhar protagonismo, contou Miguel Moraes Cabral à agência Lusa.

"Pegámos na câmara e nos microfones e fomos filmando e gravando enquanto pesquisávamos. A linguagem que se ensina naquelas aulas é muito específica, mas tem muitos sons, muitos gestos. Era uma pesquisa ao vivo", disse.

No documentário, os dois realizadores filmaram aulas, a dinâmica de aprendizagem que se estabelece entre aluno e professor, os ensaios individuais de estudantes nos corredores, as apresentações públicas, o dia-a-dia de um edifício centenário e envelhecido.

"Sentimos ali uma suspensão temporal. Um edifício daqueles no meio da cidade, num ambiente especial", disse Miguel Moraes Cabral.

O realizador esclareceu que quando o filme foi feito não havia ainda a certeza de que haveria obras de remodelação do espaço, mas estão registados os apelos e as mobilizações ocorridas na altura a denunciarem o estado de degradação da escola.

Com várias camadas possíveis de interpretação, o filme é também o documento "do fim de um ciclo", disse.

"Infância, adolescência, juventude", produzido pela David & Golias, valeu a Rúben Gonçalves o prémio "Novíssimos" do IndieLisboa 2019.

À agência Lusa, o realizador contou que no documentário quis trabalhar sobretudo a ideia de identidade num lugar, naquele universo escolar, testemunhando uma maturidade precoce de quem escolhe seguir o caminho da dança.

Com uma equipa pequena, Rúben Gonçalves filmou alunos de diferentes níveis de ensino, no ano letivo de 2014-2015. Para ele foi também uma experiência formadora do ponto de vista da realização, porque tinha acabado de sair da escola de cinema.

O realizador explicou que não queria filmar entrevistas, depoimentos, mas entender "códigos muito específicos" do ensino da dança, "a ideia de disciplina e de camaradagem entre alunos e professores".

A propósito da estreia de "Infância, adolescência, juventude", estão previstas várias conversas a seguir às sessões agendadas para Lisboa, no cinema City Alvalade.

Na quinta-feira haverá conversa com o realizador e com os diretores da Escola de Dança do Conservatório Nacional, Paulo Ferreira e Pedro Mateus. Na sexta-feira estarão dois bailarinos que surgem no filme, Miguel Duarte e a Teresa Silva Dias.

A 02 de dezembro a sessão será seguida de uma conversa com o coreógrafo Paulo Ribeiro.

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