De filmes de Alfred Hitchcock a John Ford, passando por alguns musicais famosos, há mais clássicos do cinema do século XX que vão ser acompanhados de "contexto histórico" por causa de "conteúdo ofensivo" para os espectadores do século XXI.

Após a polémica em junho de 2020 à volta da presença de "E Tudo o Vento Levou" no catálogo da plataforma de streaming HBO Max, é a vez do TCM (Turner Classic Movies) anunciar que vai dedicar uma programação especial ao longo de março que inclui títulos que terão introdução com especialistas de cinema.

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O canal não está disponível em Portugal, mas é atual versão do TNT (Turner Network Television), que existiu nos primeiros anos da televisão por satélite e cabo, e é um um dos mais respeitados dedicados ao cinema clássico norte-americano, preservando o formato original e sem fazer intervalos.

Para não ser confundido com uma ação do movimento "cancel culture" em força nos EUA, o TCM deixa claro que não se trata de censurar os filmes.

"Todos os filmes desta série são clássicos lendários, mas quando os vemos hoje, estamos a vê-los num contexto cultural diferente. Muitas vezes vemos agora problemas que talvez não víssemos quando foram feitos, seja sobre raça, género ou questões LGBT. Os cinco anfitriões do TCM irão revezar-se nas apresentações em mesa redonda de cada um dos filmes, onde discutirão estes filmes do século XX com uma perspetiva do século XXI. O objetivo nunca é censurar, mas simplesmente fornecer um rico contexto histórico para cada clássico", refere o comunicado do canal.

Além do clássico de 1939 à volta de Scarlett O'Hara, a programação, com ou sem introdução, vai incluir "Psico" (1960), "Sete Noivas Para Sete Irmãos" (1954), "Boneca de Luxo" (1961), "My Fair Lady" (1964), "Ritmo louco" (1936) "A Corda" (1948), "A Desaparecida" (1956), "Cavalgada Heróica" (1939), "A Primeira Dama" (1942), "Adivinha Quem Vem Jantar" (1967), "O Cantor de Jazz" (1927), "Gunga Din" (1939), "As Quatro Penas Brancas" (1939), "Sinbad, o Marinheiro" (1947), "Tarzan Filho das Selvas" (1959), "A Infame Mentira" (1961) e "O Filho do Dragão" (1944).

Psico

Há muitos anos que o japonês Mr. Yunioshi interpretado por Mickey Rooney em "Boneca de Luxo", o clássico de Blake Edwards com Audrey Hepburn, é considerado um estereótipo grotesco, mas a anfitriã Alicia Malone explicou a presença de dois filmes menos óbvios à publicação Deadline Hollywood.

Por um lado, "Psico", de Alfred Hitchcock, surge a pretexto da caracterização muito datada da transexualidade como uma doença mental de uma das personagens (embora o próprio filme nunca refira que se trata de transexualidade).

Perante a estranheza pela inclusão de "Sete Noivas Para Sete Irmãos", a crítica de cinema destaca que é um musical maravilhoso que ainda é um prazer ver, mas que visto por um olhar moderno, tem o elemento problemático de "toda a questão dos irmãos a sequestrar as esposas, o que de certa forma fala dessa noção de domínio masculino como sendo uma ideia romântica e aceitável".

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