O Festival de Berlim, o primeiro grande festival de cinema da Europa organizado desde as acusações de abusos sexuais contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, começará nesta quinta-feira com 19 filmes em competição e uma primeira controvérsia ligada à campanha #MeToo.

1. Filme de abertura

O cineasta americano Wes Anderson abrirá o evento com o filme de animação "Ilha dos Cães", com as vozes de muitas estrelas, incluindo Bryan Cranston, Bill Murray, Jeff Goldblum e Greta Gerwig.

2. A competição pelo Urso de Ouro

Sem nenhum filme de Portugal na corrida (o Brasil está representando por "Las Herederas", uma coprodução com o Paraguai, Alemanha, Uruguai, Noruega e França), o grande prémio do Festival será discutido entre "3 Days in Quiberon" (realização: Emily Atef, Alemanha/Áustria/França), "Season of the Devil" (Lav Diaz, Filipinas), "Damsel" (David e Nathan Zellner, EUA), "Don't Worry, He Won't Get Far on Foot" (Gus Van Sant, EUA), "Dovlatov" (Alexey German Jr., Rússia/Polónia/Sérvia), "Eva" (Benoît Jacquot, França/Bélgica), "Figlia mia" (Laura Bispuri, Itália//Alemanha/Suíça), "Las Herederas" (Marcelo Martinessi, Paraguai/Alemanha/Uruguai/Noruega/Brasil/França), "In den Gängen" (Thomas Stuber, Alemanha), "Ilha dos Cães" (Wes Anderson, Grã-Bretanha/Alemanha), "Khook" (Mani Haghighi, Irão), "Mein Bruder heißt Robert und ist ein Idiot" (Philip Gröning, Alemanha/França/Suíça), "Museo" (Alonso Ruizpalacios, México), "La Prière" (Cédric Kahn, França), "The Real Estate" (Axel Petersen, Suécia/Grã-Bretanha), "Touch me not" (Adina Pintilie, Roménia/Alemanha/República Checa/Bulgária/França), "Transit" (Christian Petzold, Alemanha/França), "Mug" (Malgorzata Szumowska, Polónia) e "U - July 22" (Erik Poppe, Noruega).

3. O júri

A escolha do Urso de Ouro e restantes prémios do palmarés principal estará a cargo de um júri liderado pelo realizador alemão Tom Tykwer ("Corre, Lola, Corre", "O Perfume - História de um Assassino", "Cloud Atlas") e que inclui Adele Romanski (produtor de "Moonlight"), Ryuichi Sakamoto (compositor), a atriz Cecile de France, Chema Prado (antigo diretor da Filmoteca Espanola) e a crítica Stephanie Zacharek.

4. A grande homenagem

A Berlinale anunciou que o ator Willem Dafoe irá receber o prémio de carreira. Além de estar nomeado pela terceira vez para os Óscares graças a "The Florida Project", entre os seus filmes estão "Platoon - Os Bravos do Pelotão" (1985), "Viver e Morrer em Los Angeles" (1985), "A Última Tentação de Cristo" (1988), "Mississípi em Chamas" (1988), "Um Coração Selvagem" (1990), "Tão Longe, Tão Perto" (1993), "O Paciente Inglês" (1996), "A Sombra do Vampiro" (2000), "American Psycho" (2000), "Homem-Aranha" (2002), "Auto Focus" (2002), "À Procura de Nemo" (2003), "Um Peixe Fora de Água" (2004), "Anticristo" (2009), "O Fantástico Senhor Raposo" (2009), "O Caçador: Último Tigre da Tasmânia" (2011), "John Wick" (2014) e "Grand Hotel Budapest" (2014).

5. #MeToo

Os organizadores prometeram promover a diversidade, após a tempestade mundial desatada pelo escândalo envolvendo o produtor Harvey Weinstein. O diretor do festival, Dieter Kosslick, indicou ter descartado durante a seleção vários filmes - "menos de cinco" -, uma vez que os seus realizadores, atores ou outras pessoas ligadas à produção eram alvo de acusações credíveis de abusos sexuais.

6. A polémica antes de começar

Na véspera do festival, uma atriz sul-coreana criticou a Berlinale por ter convidado o cineasta Kim Ki-Duk, acusando este último de ter batido nela e a obrigado a gravar cenas de sexo improvisadas enquanto trabalhava para seu filme "Moebius". A organização indicou estar "à espera de informações detalhadas".

7. A presença feminina

Quatro dos 19 filmes em disputa pelo Urso de Ouro são dirigidos por mulheres. "Não é muito, mas é alguma coisa", admitiu o diretor do festival. Kosslick também explicou que prevê um "fórum" para debater as "mudanças concretas" e necessárias para que as mulheres sejam tratadas da mesma forma que os homens na indústria do cinema.

As mulheres igualmente ganharão protagonismo no grande ecrã, a começar por Claire Foy, heroína na série "The Crown", na qual vive a rainha Elizabeth II, que protagoniza "Unsane", gravado com um iPhone por Steven Soderbergh ("Erin Brockovich", "Traffic"). Nesta história digna de Alfred Hitchcock, uma mulher luta para recuperar a sua liberdade após ter sido internada contra a sua vontade num centro psiquiátrico.

Por sua vez, a francesa Isabelle Huppert vive uma mulher fatal que invade a vida de um escritor promissor em "Eva" e "Damsel", apresentado como um "western" feminista dirigido pelos irmãos David e Nathan Zellner, mostra o ator Robert Pattinson como um agricultor desajeitado a tentar salvar a sua amada (Mia Wasikowska). Já "Unga Astrid" explora os primeiros anos difíceis da vida de Astrid Lindgren, autora da história infantil "Pipi das Meias Altas".

8. Estrelas atrás das câmaras

Dois atores famosos experimentaram a cadeira de realizador. O britânico Rupert Everett, pioneiro do cinema gay, escreveu e dirigiu "The Happy Prince", um filme biográfico sobre os últimos dias do escritor irlandês Oscar Wilde. Outro ator britânico, Idris Elba, que muitos vêem como o futuro primeiro James Bond negro, estará presente em Berlim com "Yardie", uma imersão no universo dos traficantes de droga jamaicanos em Londres.

9. Temas atuais

O brasileiro José Padilha apresentará "Entebbe", com os atores Rosamund Pike e Daniel Bruehl. O filme relata a operação israelita de libertação de reféns depois de um avião da Air France ser sequestrado pela Organização para a Libertação da Palestina em 1976.

"O Processo", da brasileira Maria Augusta Ramos, é um documentário de mais de duas horas que acompanha o processo que levou à destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, do ponto de vista da defesa.

O filme norueguês "U-July 22" recria a visão das 77 vítimas do massacre executado em 2011 pelo neonazi Anders Behring Breivik.

10. Portugal apenas fora da Competição

Dos mais de 300 filmes escolhidos para esta edição, destacam-se as três curtas-metragens portuguesas na competição pelo Urso de Ouro: "Madness", de João Viana, "Onde o verão vai (episódios da juventude)", de David Pinheiro Vicente, e "Russa", de João Salaviza e Ricardo Alves Jr..

O festival recorda que nos últimos seis anos o Urso de Ouro de melhor curta-metragem foi atribuído três vezes ao cinema português, a Leonor Teles, João Salaviza e Diogo Costa Amarante.

"A terceira geração de realizadores do cinema português contemporâneo percebeu que a ficção dá uma grande liberdade narrativa na forma como se relaciona com a atualidade", afirmou Maike Mia Hohne, curadora da competição de curta-metragens.

O júri desta competição integra o realizador Diogo Costa Amarante, enquanto a diretora do Doclisboa, Cíntia Gil, vai fazer parte do júri de documentário.

Além daqueles três filmes, haverá cinema português no programa "Fórum", com as longas-metragens "Our madness", de João Viana, "A Árvore", de André Gil Mata, e "Mariphasa", de Sandro Aguilar.

Transversal a todas as categorias, será atribuído o prémio GWFF, para primeiras obras, no valor de 50.000 euros, para o qual está nomeado o filme de André Gil Mata.

A série policial "Sul", de Edgar Medina e Guilherme Mendonça, com realização de Ivo M. Ferreira, será apresentada no mercado de coproduções.

No programa paralelo Berlinale Talents, estará o realizador André Santos e no "Project Labs" este cineasta apresentará o projeto do documentário "Na Floresta" (título provisório), coassinado com Marco Leão.

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