O filme, que se estreia na próxima sexta-feira nos cinemas comerciais dos Estados Unidos e a 13 de julho em Portugal, decorre na fantástica Cidade dos Elementos. Os seus habitantes são feitos de fogo, água, terra e ar e devem conviver em harmonia, apesar das suas diferenças fundamentais.

A trama segue um romance perigoso entre Ember, a filha apaixonada de um imigrante trabalhador, e Wade, o herdeiro de uma rica família de água.

À medida que o seu relacionamento põe à prova o mantra da cidade, "os elementos não se misturam", o filme funciona como uma metáfora para o racismo, o preconceito e a assimilação.

"É tão proibido! O facto é que Ember e Wade arriscam as vidas ao se aproximarem, é como Romeu e Julieta", disse Leah Lewis, que interpreta a protagonista.

Elemental (2023)
Elemental (2023)

"Este filme fala muito sobre família, lealdade, identidade cultural, sobre apaixonarmo-nos pela primeira vez", comentou a atriz, em conversa com a AFP, durante a estreia do filme nos Estados Unidos, esta semana em Los Angeles.

Assim como muitos dos atores deste filme, Lewis tem a sua própria história como imigrante: ela foi adotada num orfanato em Xangai por um casal da Flórida.

Mamoudou Athie, que dá voz a Wade, nasceu na Mauritânia e obteve a cidadania americana há um ano. E Ronnie del Carmen, que interpreta Bernie (o pai de Ember), emigrou das Filipinas.

Várias estrelas destacaram a importância da temática desta produção, no momento em que a imigração domina o debate político nos Estados Unidos.

Pressão para a Pixar

O filme também chega num momento crítico para a Pixar.

O estúdio que lançou clássicos como "Toy Story - Os Rivais", "À Procura de Nemo" e "UP - Altamente!" passou por anos difíceis.

Elemental
Elemental

A sua última produção original não relacionada com uma franquia a chegar aos cinemas foi "Bora Lá", que se estreou em 2020 mas saiu rapidamente, à medida que a COVID-19 fechava tudo.

Os seus títulos seguintes foram lançados diretamente na plataforma de streaming Disney+.

A Pixar voltou aos cinemas no ano passado com "Buzz Lightyear", mas a produção derivada de "Toy Story" não triunfou nas bilheterias e o seu realizador foi um dos 75 funcionários do estúdio demitidos na semana passada, entre cortes de pessoal da Disney.

Enquanto isso, os seus rivais estão a florescer nesta era pós-pandemia.

"Homem-Aranha: Através do Aranhaverso", da Sony, lidera as bilheteiras nos Estados Unidos, enquanto a adaptação do jogo Super Mario Bros. para o cinema, feita pela Universal, é até agora o filme de maior bilheteira do ano.

Além disso, o Óscar de Melhor Animação, que tradicionalmente era conquistado pela Pixar, foi para a Netflix, com a versão de Pinóquio dirigida por Guillermo del Toro.

TRAILER DE ELEMENTAL: