Em maio último, o Festival de Cinema de Cannes divulgou um documento em que se comprometia a registar o género de todos os membros da equipa de cada filme submetido à competição, tornar públicos os nomes dos membros do comité de seleção e trabalhar no sentido de haver uma maior paridade entre homens e mulheres no corpo diretivo do evento. O objetivo desta transparência é forçar o aumento do número de mulheres em todas as posições de relevo do certame e o consequente aumento do número de filmes realizados por mulheres na selecção, algo que, no limite, o festival não se comprometeu salvaguardando essa escolha final para critérios de mérito artístico e não de paridade de género.

Era esperado que os outros festivais de cinema seguissem esse exemplo embora até agora só o Festival de Locarno tenha assinado um documento equivalente. A reboque da crítica de que o Festival de Cinema de Veneza, a decorrer até 8 de setembro, só tem em competição um filme realizado por uma mulher ("The Nightingale", de Jennifer Kent), o presidente do júri do evento, Guillermo del Toro, defendeu que a paridade absoluta nos festivais entre homens e mulheres é essencial como exemplo para a industria do cinema em geral, e que "o objetivo tem de ser claro e tem de permanecer o de chegar aos 50/50 em 2020. Acho que se for em 2019, ainda melhor. É um verdadeiro problema que temos na cultura em geral. Muitas das vozes que deviam ser ouvida, precisam de ser ouvidas. Acho que é importante não ser apenas uma questão de estabelecer uma quota… É precisamente neste tempo de discussão que é extremamente importante denunciar a situação e questioná-la e dar-lhe um nome e torná-la conhecida".

O cineasta mexicano, oscarizado este ano pelo filme "A Forma da Água, que venceu o Festival de Veneza o ano passado, defendeu que se trata de “um passo necessário porque durante muitas décadas, se não séculos, [a disparidade de género] não foi denunciada. Não é uma controvérsia – é um problema real. Precisa de ser resolvido em cada um dos nossos departamentos essenciais com força e determinação".

A um nível pessoal, o realizador garante que está também a tentar resolver o problema: “estou a produzir cinco filme, três deles realizados por mulheres, dois dos quais por realizadores estreantes. Mais do que um gesto, é uma necessidade.”

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