O diretor do festival, Carlos Calika, disse à agência Lusa que HaHa Art vem ocupar um espaço vazio.

“Em Portugal há uma série de festivais, alguns temáticos, mas a maioria são generalistas. E a comédia não existe. Em Portugal e também a nível mundial, porque não há muitos festivais que lhe sejam dedicados”.

O festival organizado pelo CineClube de Pombal pretende colocar a cidade no mapa cinematográfico com uma proposta diferente, que procura “dar valor à comédia e apoiar o cinema de comédia nacional”.

Para Carlos Calika “é muito irónico” que o humor esteja “na origem do cinema, com o Chaplin e o Buster Keaton, dois pilares essenciais da comédia”, mas hoje em dia é “um género subvalorizado”.

“Os grandes ‘reis’ de bilheteira são as comédias. Mas depois não há um festival dedicado à comédia. Talvez por ser comédia, as coisas não são tão levadas a sério”, equaciona Calika.

Apesar de “ser visto como um género menor”, o também realizador lembra que filmar humor “tem muito que se lhe diga”. “Não é só a piada fácil, o ‘sketch’, a queda, o ridículo. Há vários tipos de humor e o inteligente é o mais difícil de fazer”.

Desde que o HaHa Art abriu inscrições, no início de julho, têm chegado a Pombal muitas formas de comédia para análise.

“Por incrível que pareça, o ‘feedback’ tem sido avassalador. Já temos quase 200 filmes de cerca de 30 países”, conta o diretor, lamentando, em contrapartida, o baixo número de candidatos nacionais.

A maioria dos filmes inscritos vem de Espanha, Estados Unidos da América e China, mas também há argelinos, islandeses, chilenos, arménios, iranianos, entre outras nacionalidades.

O resultado, admite Carlos Calika, é uma fase de pré-seleção com “trabalho árduo da equipa” porque, além da quantidade, há diferentes abordagem ao humor:

“Nota-se o reflexo das diferentes sociedades. Há aspetos que supostamente são humor nos países de origem e nós não o entendemos como tal. É uma questão cultural”.

HaHa Art Film Festival começou na quinta-feira à noite, com a exibição de “O grande ditador”, de Charlie Chaplin, na primeira sessão de um ciclo ao ar livre que decorre até setembro, junto à Biblioteca de Pombal. O programa contempla idas a lares para recordar comédias portuguesas e ‘workshops’ de realização em escolas do ensino secundário.

Para novembro estão reservadas as seis sessões competitivas de 40 filmes, que passam nos dias 18, 19 e 20 no Auditório Municipal e no Teatro-Cine de Pombal.

No final serão atribuídos os prémios ao melhor filme e realizador internacional e nacional e o Prémio do Público.

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