O Presidente da República lamentou hoje a morte do produtor Henrique Espírito Santo, ocorrida no domingo, em Lisboa, recordando o seu "espírito de militância que animou o Novo Cinema e o cinema que se lhe seguiu.

Numa nota de pesar publicada hoje no 'site' da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o cineclubista, crítico, ator, professor de cinema, no Conservatório e em várias universidades, que se destacou como diretor de produção do Centro Português de Cinema, e que morreu aos 88 anos.

"Nas décadas de 1960 e 70, trabalhou nalguns dos filmes mais importantes para a renovação do cinema português, como 'O Recado', de José Fonseca e Costa, 'A Promessa', de António de Macedo, 'Brandos Costumes', de Alberto Seixas Santos, 'Jaime', de António Reis, 'Benilde ou a Virgem Mãe', de Manoel de Oliveira, 'Veredas', de João César Monteiro, ou 'O Bobo', de José Álvaro Morais. E nunca perdeu esse espírito de militância que animou o Novo Cinema e o cinema que se lhe seguiu", conclui o Presidente da República, na sua mensagem.

Natural de Queluz, Sintra, onde nasceu em dezembro de 1931, Henrique Espírito Santo iniciou o seu percurso profissional em 1966 com o realizador José Fonseca e Costa, na produtora Unifilme.

Com o realizador, deu origem a "O Recado" (1971), filme que, em plena ditadura, desafiou a PIDE, polícia política do regime, denunciado os seus crimes e o seu modo de atuação.

Fez parte do Centro Português de Cinema, que marcou a emergência do Novo Cinema, na década de 1960, e foi um dos sócios fundadores da Cooperativa Cinequanon, após o 25 de Abril de 1974. Fez parte do antigo Núcleo de Produção do Instituto Português de Cinema, e fundou mais tarde a produtora de Cinema Prole Filme, que se manteve ativa até 2000.

Segundo a Cinemateca, que o homenageou em 2016, Henrique Espírito Santo foi “cineclubista de formação, antifascista militante por convicção, diretor de produção e produtor de profissão e, ‘last but not the least’, formador de toda uma geração de profissionais de cinema na área da produção”.

O nome de Henrique Espírito Santo está associado à produção de "A Promessa", de António de Macedo, que entrou na seleção oficial do Festival de Cannes, em 1973, "Jaime", de António Reis, pioneiro do documentarismo em Portugal, "Benilde ou a Virgem Mãe" e "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, e "A Fuga", de Luís Filipe Rocha, inspirado na fuga de Dias Lourenço da prisão de Peniche, entre mais de duas dezenas de filmes, que remontam ao final dos anos de 1960.

O funeral do produtor Henrique Espírito Santo vai decorrer na manhã de terça-feira, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, p corpo sairá do Hospital São Francisco Xavier na terça-feira, às 10:00, seguindo para o Cemitério dos Olivais, com a família a apelar aos amigos que se quiserem juntar para que o façam a partir das 11:15 no crematório do cemitério.

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