Insurgência artística e criativa precisa-se (e muito) em «Insurgente».

Os segundos filmes de uma trilogia não têm uma tarefa fácil: as personagens já estão apresentadas e os dados já estão lançados, mas também ainda não é o fim da história, pelo que é necessário empolgar suficientemente o espectador para que ele queira ver os próximos capítulos da saga. A empreitada é árdua e «Insurgente» pena para conseguir cumpri-la.

A sequela de «Divergente» (2014) traz Tris (Shailene Woodley) compungida e magoada consigo própria, sentindo-se culpada pelos eventos trágicos ocorridos no passado. Entretanto, Jeanine (Kate Winslet) instaura a lei marcial e retoma a perseguição aos divergentes, ao mesmo tempo que tenta abrir uma mensagem criada pelos fundadores do sistema de facções em que a sociedade vive. Tris tenta escapar à obsessão de Jeanine, mas a sua maior luta será consigo mesma.

A realização desta nova obra (agora a cargo de Robert Schwentke, que substitui Neil Burger) perde em negridão e dimensão dramática quando comparada com o primeiro filme. O contexto habitacional e social em que os protagonistas estão inseridos não é representado de uma forma desejavelmente distópica e característica de uma obra de ficção científica. O mesmo se aplica à fotografia, que parece estar menos apurada do que na primeira tomada da saga.

A somar a isto, assiste-se a um desperdiçar de talento interpretativo, onde actores como Miles Teller, Shailene Woodley, Kate Winslet ou Naomi Watts lutam por atribuir alguma dignidade às suas personagens – nem sempre com sucesso. Pior ainda é a relação do casal protagonista, que raramente consegue irradiar qualquer química.

Não obstante, a vivência das sociedades e a luta humana pela sobrevivência em situações extremas (sem atentar a condicionantes morais) é um tema profícuo em análise e que é abordado de uma forma alternativa e curiosa nesta obra, num argumento com alguns elementos dignos de interesse. Além disso, os efeitos especiais cumprem a missão de se tornarem amplificadores de alguns momentos-chave das cenas, em que o 3D tem um papel mais subtil e detalhista, nem sempre absolutamente vantajoso.

«Insurgente» leva-se demasiado a sério, não tentando aligeirar a trama, tornando épico aquilo que, na verdade, não é. Realçam-se, contudo, as cenas de acção bem conseguidas e, ainda, os momentos oníricos e ilusórios pelos quais a protagonista vai passando, que prendem a atenção do espectador, apesar de alguma previsibilidade inerente.

O filme resiste pela história, enquanto se fica a aguardar os próximos capítulos de uma saga que ainda não conseguiu descolar-se verdadeiramente de «The Hunger Games».

2,5 em 5
TATIANA HENRIQUES

REVISTA METROPOLIS