«Agentes Secundários», que chega esta semana aos cinemas portugueses, é o «remake» da série televisiva
«Rua Jump 21», que na viragem para os anos 90 lançou
Johnny Depp no estrelato.
Jonah Hill co-escreveu o argumento do filme com
Michael Bacall e é um dos protagonistas, juntamente com
Channing Tatum.

O filme, realizado por
Phil Lord e
Chris Miller, coloca os dois atores como polícias que são forçados a regressar ao liceu numa missão em que se fazem passar por adolescentes para descobrir a origem de uma nova droga que está a dizimar a juventude local. O SAPO falou com os dois intérpretes sobre o novo filme, numa conversa com tantas gargalhadas como discursos sérios.

Memórias de liceu

Channing Tatum (CH): A minha passagem pelo liceu foi porreira e divertida, não havia «nerds» e «cool guys», toda a gente se dava bem. Quer dizer, eu era um atleta por isso se alguém me gozasse eu dava-lhe uma sova.

Jonah Hill (JH): Todos os meus momentos embaraçosos de liceu estão neste filme, acho que acabei por escrever o «Agentes Secundários» para exorcizar as minhas frustrações da altura, porque eu era o miúdo gordo que era gozado. E há coisas no filme que me aconteceram: eu de facto pintei o cabelo de amarelo para me parecer com o
Eminem, e as fotografias que aparecem na parede da casa dos meus pais são mesmo fotografias minhas de quando era mais novo. Infelizmente todas aquelas coisas foram verdade, mas vivemos e aprendemos.

«Rua Jump 21» recriado como comédia

JH: Basicamente, eu tinha muito interesse na ideia de reviver em adulto a parte mais importante da nossa juventude. E de pensar que já crescido teria todas as respostas para as angústias da altura sendo que afinal não tinha nenhuma. Quando pensei no tipo de filme em que um argumento assim se encaixaria, veio-me à ideia numa comédia de acção como o
«Bad Boys» mas cruzada com um filme ao estilo dos de
John Hughes. E achei que a «Rua Jump 21» podia encaixar nesse conceito.

Os desafios da comédia

CT: Esta é a minha primeira comédia e eu não a teria feito sem não fosse o Jonah. Nunca me aventuraria sozinho num filme de humor. Ele telefonou-me, disse que acreditava que eu conseguiria fazer aquilo, e eu disse-lhe que se não tivesse graça o culparia totalmente. E aceitei a proposta ao telefone, tendo lido apenas 50 páginas do argumento. E disse-lhe «pá, isto é um dos argumentos mais estranhos e loucos que já li». Mas funcionou, o filme foi um sucesso.

JH: O Channing nunca tinha feito comédias mas a verdade é que ele é um tipo mesmo muito engraçado. Além disso, a minha própria carreira é um exemplo de que se pode fazer comédia e drama ao mesmo tempo, eu fiz o
«Moneyball» imediatamente antes do «Agentes Secundários». Não há pessoas que sejam especificamente boas em comédia, há pessoas que percebem que a boa comédia vem da personagem e da honestidade da prestação. O Channing é uma das pessoas mais verdadeiras que eu conheço e tinha a certeza de que ele conseguiria trazer esse lado de veracidade ao filme. O
John C. Reilly disse-me uma vez que o importante é a circunstância em que fazemos a personagem. Ou seja, a mesma personagem será engraçada ou dramática consoante esteja envolvida numa circunstância engraçada e dramática.

A participação de Johnny depp

JH: Eu e os realizadores escrevemos-lhe uma carta, e a agente dele, a Tracy, foi sempre muito porreira. Ela trabalha na agência do Channing…

CT: Sim, eu telefonei à Tracy todos os dias durante uma semana, a perguntar «o que é que ele vai fazer nesta semana?», «o que é que ele vai fazer naquela semana?», «eu lavo-lhe o carro», «eu rapto-lhe o filho»...

JH: Atacámo-lo por todos os lados, eu, o Channing, os realizadores, o estúdio... Pedimos-lhe para participar no filme e ele foi muito «cool» ao aceitar. Eu não quero falar por ele mas acho que havia ali um lado sentimental, que era uma forma dele pôr um ponto final na presença da série na vida dele.

O liceu de ontem e hoje

JH: Eu tenho 28 anos, por isso estive no liceu há 10 anos e não sei nada sobre o liceu de agora, exceto pela pesquisa que fiz para este filme. Mas a minha irmã andava no liceu quando começei a escrever o «Agentes Secundários» há cinco anos, tinha eu saído da escola há outros cinco, e a única coisa que eu reparei é que mesmo tendo passado tão pouco tempo eu já me sentia desconectado de tudo aquilo. E acabei por colocar isso tudo no filme, o facto de mesmo só tendo saído há cinco anos do liceu toda aquela realidade me parecer completamente afastada e distante.

Piadas grosseiras e muito sangue

JH: Eu sei que o filme tem esse lado mais puxado, mas a verdade é que apesar disso não tivemos qualquer condicionamento por parte do estúdio. Nós fizemos o filme que queríamos fazer e depois preocupámo-nos com o que as pessoas poderiam pensar. Tentámos apenas fazer o filme mais divertido possível e felizmente as pessoas reagiram muito bem logo à primeira projeção.

CT: O Jonah, o Michael Bacall e os realizadores são muito inteligentes e só colocam piadas mais fortes quando isso serve o filme. Por exemplo, uma das piadas é logo sobre o estar-se a refazer uma velha série de tv dos anos 80 e achei isso genial, porque anula logo os preconceitos todos da sala.

Os dramas de Jonah Hill

JH: Estou muito entusiasmado por não fazer só comédias. Aliás, nos próximos anos tenciono fazer quase só dramas. Fazer o «Moneyball» com o Brad Pitt foi ótimo. E ser nomeado ao Óscar e ir à cerimónia com eles foi melhor ainda, principalmente porque o mais especial para mim foi ter dado essa noite como prenda à minha mãe, que foi a minha acompanhante.

Haverá sequela?

JH: Sim, de certeza que haverá sequela. Eu e o Michael Bacall já a estamos escrever e começaremos a rodar no ano que vem.


Veja aqui a entrevista do SAPO a Phil Lord, co-realizador do filme

Recorde o impacto da série «Rua Jump 21»

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