O que pensará um estúdio quando vê o ator principal e o realizador de um filme que terá custado 150 milhões de dólares dizerem em público que não estão completamente satisfeitos com a versão que vai estrear nas salas de cinema?

Foi isso que aconteceu à Warner Bros. com Jason Statham e Jon Turteltaub e "Meg: Tubarão Gigante".

O filme acompanha um experiente mergulhador de resgate em alto mar (Statham) recrutado para salvar a equipa de um submergível de alta profundidade atacado por uma criatura que se julgava extinta: um pré-histórico tubarão com 22 metros de comprimento, conhecido como Megalodonte.

Com esta história, poderia supor-se que haveria violência e muito sangue, mas o tom do filme teve que mudar para conseguir a classificação "PG-13", o público "para maiores de 13 anos" que se tornou o mais importante para os grandes estúdios.

Jason Statham, em entrevista ao Collider, não escondeu a desilusão pelo filme não ser o mesmo que o levou a assinar o contrato.

Quando lhe perguntaram o que tinha mudado em relação ao argumento inicial, respondeu com a habitual franqueza: "Muito. Argumentos completamente diferentes. Houve tantas diferenças... por vezes ficamos 'Como é que isto aconteceu? Como é que se passou disto para isto e isto para aquilo?'".

"Só estou a dizer que foi radicalmente diferente. Por vezes, suponho que a nossa imaginação e a nossa própria perceção do que vai ser é o nosso maior inimigo", elaborou, antes de acrescentar que a visão do realizador Jon Turteltaub foi mais no sentido de ser "um filme de fim de verão" com muito humor.

Quando o entrevistador lhe diz que o filme não deixa de ser muito divertido, Statham sintetiza as ideias: "Sim, mas ficamos 'Onde está a porra do sangue?' Porque 'Existe um tubarão.'"

O ator admitiu também que está hesitante sobre regressar para uma sequela, mas garante que voltaria a trabalhar com o realizador: "Digo isto com cautela. Desta vez teria de ter alguma noção do que iria ser".

Curiosamente, declarações do próprio Jon Turteltaub parecem indicar que nem foi ele o "culpado" de ser "um filme de fim de verão".

Inspirado por estar a falar com o Bloody Disgusting [Repugnante sangrento], o realizador disse estar "muito desiludido pelo filme não ser mais sangrento ou repugnante."

"A minha mulher está contente por isso e eu estou porque os meus filhos podem ver o filme, mas a quantidade de mortes horríveis, repugnantes e sangrentas que tínhamos preparado e não conseguimos fazer é trágico. Houve algumas coisas realmente boas que não sobreviveram à versão final", admitiu, acrescentando que foram sacrifícios para se conseguir o "PG-13".

"Meg: Tubarão Gigante" estreia em Portugal a 23 de agosto.

TRAILER.


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