Após confirmar as presenças de Valter Hugo Mãe e Alain de Botton no seu próximo filme «O Sentido da Vida», Miguel Gonçalves Mendes, o realizador de «José e Pilar», juntou-se ao co-produtor do filme, Fernando Meirelles (o cineasta de «Cidade de Deus» e «O Fiel Jardineiro») para apelar à participação na película de Dilma Roussef, a presidente do Brasil.

«Qual é afinal o sentido da vida?» é a questão que coloca o protagonista do filme, um documentário com infiltrações da ficção sobre um jovem que procura em todo o mundo a resposta a essa questão que o atormenta, e que no seu périplo em redor do globo se cruza com figuras célebres que o irão orientar ou desorientar na sua busca: um comediante, um político, um realizador, um escritor, um músico e um filosofo ateu.

O escritor e o filósofo ateu já estão garantidos e serão, respetivamente, o português Valter Hugo Mãe e o suíço Alain de Botton. Dilma Roussef será a política, caso aceda aos pedidos do realizador. Em declarações ao SAPO, Mendes justificou escolha da estadista brasileira: «tem a ver com razões muito simbólicas: uma é a dela ser uma mulher e estar a governar um país de 190 milhões de habitantes em franco desenvolvimento, e que defende a sua condição feminina, pela qual foi muito atacada nas eleições que venceu. E outra é a dela ser uma mulher de esquerda, que está a propôr para o Brasil uma fórmula contrária à da Europa, onde assistimos a uma regressão dos direitos: lá sente-se uma espécie de aposta quase utópica na formação do cidadão, e mesmo tendo consciência das desigualdades brutais que existem naquele país, nota-se que há uma tentativa de estudar algo melhor».

Segundo o realizador, Dilma, além disso, «sendo de classe média alta, durante a ditadura fez parte da resistência, foi presa durante dois anos e torturada, e de repente tornou-se a primeira mulher a ser presidente de um país gigantesco. Portanto, ela abarca várias equações que interessavam ao filme. Sendo que também foi uma mulher que à beira de uma eleição esteve a lutar contra um cancro».

Nesta altura, de acordo com o realizador, «o gabinete presidencial já foi contactado e esperamos obviamente que ela aceite».

«O Sentido da Vida» será co-produzido pela O2, a produtora de Fernando Meirelles, que já co-produzira «José e Pilar», e parte do financiamento para o documentário será conseguida através de crowdfunding, através do site http://sentidodavida.cinema.sapo.pt/, que servirá também como diário de rodagem para «O Sentido da Vida».

Além dos três nomes já referidos, há ainda outras presenças por confirmar, mas cujas primeiras conversas já foram iniciadas. Miguel Gonçalves Mendes avançou que «entre as personalidades que queremos no filme, que se encaixam nos perfis que traçámos e em cuja participação estamos a trabalhar, contam-se os Sigur Rós, a Björk e o John Cleese», este último que, quando integrava o grupo de humoristas britânicos Monty Python, foi um dos responsáveis pelo filme a que este foi buscar o título, «O Sentido da Vida».