Os mais jovens lembrar-se-ão dele por papéis de velhinho em fitas como «O Amor não Tira Férias» (2006) ou «O Escritor Fantasma» (2010), mas Eli Wallach, que foi um dos primeiros alunos do mítico Actors Studio, teve uma carreira imensa, no cinema, no teatro e na televisão. O ator, que recebeu o Óscar Honorário em 2010, morreu terça-feira, 24 de junho, aos 98 anos, tendo o óbito sido confirmado ao «The New York Times» pela sua filha Katherine.

Nascido em Brooklyn em 1915, filho de imigrantes judeus, Wallach começou a fazer teatro na faculdade e fez espetaculos para o soldados quando serviu na Segunda Guerra Mundial. Logo a seguir, fez parte do primeiro grupo de aluno do mítico Actors Studio, que revolucionou a atuação no teatro e no cinema, e estudou ao lado de futuras lendas como Marlon Brando e Montgomery Clift.

Estreou-se no teatro em 1945 com papéis muito elogiados em peças como «Mister Roberts», «Staircase», «A Casa de Chá do Luar de Agosto» e «A Rosa Tatuada», que lhe valeu o Tony em 1951.

Em 1956 estreou-se no cinema pela mão de um dos grandes proponentes do Método, Elia Kazan, no controverso filme «A Voz do Desejo», e nunca mais parou, muitas vezes em papéis de composição essenciais ao filme. Os seus papéis mais memoráveis surgem na década e meia seguinte: «The Lineup» (1958), de Don Siegel, «Os Sete Magníficos», de John Sturges (em que interpretava Calvera, o mau da fita), «Os Inadaptados» (1961), de John Huston (o filme maldito que marcou o fim das carreiras de Marilyn Monroe e Clark Gable), «A Conquista do Oeste» (1962), o western em Cinerama com os maiores atores e realizadores do género, «Lord Jim» (1965), de Richard Brooks, e «Como Roubar Um Milhão» (1966), uma comédia William Wyler com Audrey Hepburn e Peter O'Toole. Em 1966 foi o vilão no épico «O Bom, o Mau e o Vilão», de Sergio Leone, ao lado de Clint Eastwood e Lee Van Cleef, que o levou depois a participar em vários «western-spaghetti».

Com o trabalho no teatro sempre em grande plano, Wallach continuou a brilhar no cinema nas décadas seguintes em obras como «Que Importa Morrer» (1968), «O Ouro de Mackenna» (1969), «O Passe da Meia-Noite» (1973), «O Mafioso Rebelde» (1974), «O Abismo» (1977), «Fitas Loucas» (1978), «Caça ao Homem» (1980), «A Canção do Carrasco» (1982), «Our Family Honor» (1985), «Os Duros» (1986), «Louca» (1987), «O Caso da Mulher Infiel» (1990), «O Padrinho: Parte III» (1990) e «Noite na Cidade» (1992).

Trabalhou praticamente até ao fim, deixando ainda boa memória em fitas recentes como «Mystic River» (2003), «O Amor não Tira Férias» (2006), «O Escritor Fantasma» (2010) e «Wall Street: O Dinheiro Não Dorme» (2010).