A Netflix mudou a forma de medir as suas audiências e revelou os novos números de alguns dos seus conteúdos mais populares.

Numa carta aos acionistas a acompanhar o balanço do quarto trimestre de 2019, a plataforma de streaming indica que alterou a sua metodologia: dois minutos passam a contar como um visionamento em vez de ser necessário assistir a 70% de um programa. O sistema continua a não considerar vários espectadores que usam a mesma conta.

A Netflix reconhece que a nova medição, que na prática passa de "visto" para "escolher ver", aumenta em média as audiências em 35%.

O documentário de David Attenborough "Our Planet" é destacado como exemplo, tendo passado de 33 para 45 milhões de visualizações (que correspondem a assinaturas/contas).

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Nos filmes, a comunicação destaca a performance de "6 Underground", o filme de ação de Michael Bay com Ryan Reynolds: 83 milhões nos primeiros 28 dias.

Ainda é indicado que "Klaus", nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação", teve mais de 40 milhões, mas omitem-se as audiências de outros títulos na corrida às estatuetas como "O Irlandês", "Marriage Story" e "Dois Papas", referindo-se apenas que "também foram muito populares junto dos nossos subscritores".

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Nas séries originais, "The Witcher", com 76 milhões de visualizações nos primeiros 28 dias, passa a ser um recorde para a primeira temporada.

A segunda temporada de "You" chegou a 54 milhões e a terceira de "The Crown" a mais de 21 milhões, um aumento de 40% em relação à anterior. Mais de 73 milhões viram toda a série sobre a família real britânica desde o lançamento.

Em defesa da alteração do sistema de medição, a Netflix refere que está a trabalhar "na melhor forma de partilhar destaques de conteúdo que demonstram popularidade" e sustenta  que os 70% exigidos para um episódio ou um filme completo ser considerado um visionamento fazem "menos sentido" por causa dos conteúdos com durações tão diferentes.

São dados como exemplos os curtos episódios da série "Special"  à volta de 15 minutos) e filmes longos como "Emboscada Final" (com 132).

Com o novo sistema, a empresa defende que programas curtos e longos passam a ser tratados de forma igual e que os dois minutos são tempo suficiente para manifestar a intenção de ver o conteúdo.

Vai ainda mais longe, alinhando a prática com as da BBC iPlayer, do jornal New York Times e do YouTube, o que já motivou críticas: o Collider diz que a Netflix "basicamente está a contar quem assiste aos seus filmes e séries menos como audiências de bilheteira ou TV e mais como conteúdo da Internet".

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