Depois de se ter tornado um fenómeno desde 2006, traduzido em mais de 50 línguas e com mais de 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, "O Segredo" chega esta semana ao grande ecrã. A autora do livro, Rhonda Byrne, considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, em 2007, passou a ser uma referência para muitos ao abordar a Lei da Atração, teoria de que os pensamentos moldam a realidade e de que os seres humanos podem controlar as suas vidas com a mente de forma a alcançar os seus objetivos.

Essa é também a ideia que move "O Segredo: Atreve-te a Sonhar", filme que adapta o livro de auto-ajuda a um formato ficcionado, centrado no quotidiano de uma viúva que enfrenta vários obstáculos enquanto tem três filhos a seu cargo. Realizado por Any Tennant ("A Diva da Moda", "Hitch - A Cura para o Homem Comum") e com Katie Holmes e Josh Lucas nos papéis principais, o drama não é a primeira vez em que "O Segredo" surge no formato de filme: em 2006, mesmo antes do livro, o conceito foi explorado num documentário de Drew Heriot, do qual Rhonda Byrne foi argumentista e uma das produtoras. Mas a autora acredita que é com esta história que a sua mensagem vai chegar a um público ainda mais vasto, como conta em entrevista telefónica ao SAPO Mag.

SAPO Mag - Como descreveria o conceito de "O Segredo"?
Rhonda Byrne - "O Segredo" ajuda-nos a conhecer o poder da nossa mente, de forma a nos permitir criar a vida que queremos ter. Aquilo em que pensamos e em que nos focamos é o que virá ter connosco. Por exemplo, se pensarmos que não temos dinheiro suficiente, e insistirmos nessa ideia, então nunca teremos dinheiro suficiente. O que vivemos hoje é o que pensámos ontem, no passado. E isso significa que podemos ter a vida que queremos se nos dedicarmos a pensar naquilo que queremos em vez de pensarmos no que não queremos. Temos de nos dar conta do poder da nossa mente e do pensamento, sobretudo quando há uma tendência de pensar no que não queremos. Temos de treinar a mente para sermos mais positivos. E por positivo digo aquilo que queremos, enquanto que negativo é o que não queremos.

O Segredo: Atreve-te a Sonhar

De que forma surgiu a ideia de criar um filme de ficção em torno de "O Segredo", depois de um documentário e de um livro?
Queríamos criar uma história com a qual qualquer pessoa se pudesse relacionar. É a história de uma mulher que enfrenta a vida tendo de cuidar sozinha dos três filhos. E ela responde à vida de forma negativa, esperando que aconteça o pior. Tudo o que de mau pode acontecer parece de facto acontecer-lhe. Pensámos numa personagem assim para mostrar o quão fácil é pensarmos no que não queremos. É isso que lhe acontece até que um estranho entra na sua vida e a ajuda. Um estranho com um segredo, e que muda a vida dela e dos filhos, um a um, apenas pela forma como encara a vida. Fizemos o filme a pensar nas pessoas que nunca tinham lido o livro nem visto o documentário. Tentámos atingir o público mais vasto possível para o ajudar a viver a vida que merece.

Porque optou por esta história em particular? Foi logo esta a direção que pretendeu seguir?
Houve três argumentistas que criaram três histórias que nos foram propostas. Eram histórias muito diferentes: uma envolvia um assalto a um banco, outra já não me recordo exatamente, e depois havia esta, centrada numa família. A ideia foi da Bekah Brunstetter, que nunca tinha escrito nenhum argumento antes, mas gostámos muito da abordagem dela e desde aí tornou-se uma argumentista muito bem sucedida - agora trabalha na série "This Is Us". Foi muito divertido ouvir as propostas, e além destas temos 35 mil histórias no nosso site, que as pessoas podem ler, escritas pelos fãs que se inspiram tanto em "O Segredo" como nos livros seguintes. Considerámos que a história do filme também acaba por ser a mais representativa de muitos desses relatos que as pessoas deixaram.

O argumento não foi então especialmente inspirado em relatos de um ou mais fãs em particular, ou de pessoas que conheça.
Não. Mas já houve quem pensasse que era inspirada na minha própria vida... Nem tinha pensado nisso, mas há mesmo algumas coincidências curiosas. Não tenho três filhos, mas tenho dois, e também os criei maioritariamente sozinha. E durante muitas décadas tive uma postura parecida com a da protagonista do filme, com muita ansiedade e drama, até que me apercebi do poder que temos para mudar as nossas vidas. Por isso há algumas semelhanças, só que não tive a ajuda de um estranho para reparar a casa. (risos)

O Segredo: Atreve-te a Sonhar

O filme estreia numa altura em que a pandemia COVID-19 domina as atenções. Olha para "O Segredo" de outra forma neste novo contexto mundial?
A pandemia permite-nos ver o que acontece quando todo o mundo se foca numa só coisa. Acaba por tomar proporções enormes. Quando nos focamos em algo, aumentamos a sua energia. E quando é o mundo inteiro a fazê-lo, torna-a mesmo, mesmo, mesmo grande. (risos) Por isso, é muito importante não nos focarmos tanto na doença, mas antes na saúde que temos e que queremos manter. Claro que temos de estar informados, mas não temos de estar saturados de tanta informação a toda a hora. Temos de nos concentrar na saúde e bem estar. O que queremos é saúde, ninguém quer a doença.

Algumas das primeiras críticas ao filme comparam-no a histórias de Nicholas Sparks. Também encontra semelhanças?
Adoro "O Diário da Nossa Paixão", por isso encaro-o como um elogio. (risos) O que quisemos foi iluminar as pessoas que não estão conscientes do poder com que nasceram. Fazê-las entender o conceito de "O Segredo" e mostrar-lhes como pode ser aplicado a todos os aspetos das suas vidas. A mensagem do filme é a de que os nossos pensamentos são muito poderosos. E quisemos que as pessoas se sentissem bem ao ver ao filme. Porque se nos sentirmos bem, a vida será boa. Mas se nos sentirmos mal, impacientes, frustrados, então o dia não nos vai correr bem. E é extraordinário que este filme, filmado há cerca de dois anos, estreia numa altura em que o mundo precisa mesmo de se sentir bem. "O Segredo: Atreve-te a Sonhar" é um pequeno contributo que podemos ter na vida das pessoas, para que tenham esperança.

O Segredo: Atreve-te a Sonhar

Além de ser um sucesso de vendas e popularidade a nível mundial, "O Segredo" também foi elogiado por várias figuras públicas ligadas à televisão ou ao cinema, como Larry King, Oprah Winfrey ou Nicole Kidman. Esperava chegar a um público tão vasto e diverso?
Fui tendo reações muito positivas e inesperadas de pessoas do mundo do espetáculo, sim, mas também de empreendedores de pequenas e grandes empresas, que me disseram que o livro foi um guia para os seus negócios. Mais recentemente, fui surpreendida pela respostas de vários influenciadores a quem propus mostrar o filme em primeira mão, e todos me disseram que vivem as suas vidas segundo os princípios de "O Segredo". Uma delas foi a [supermodelo] Miranda Kerr. Fiquei muito emocionada ao conhecer as suas reações e histórias.

O livro "O Segredo" teve várias sequelas. É expectável que aconteça o mesmo com o filme?
Para já estou a escrever um novo livro que será editado em novembro. É o próximo grande passo de "O Segredo" e vai ajudar as pessoas a eliminar o sofrimento das suas vidas. Em relação aos filmes, as pessoas ainda estão a tentar ver como vai funcionar o mundo nesta altura, e a forma de fazer filmes tem sido especialmente afetada. Estamos a chegar a um novo mundo, mas isso não quer dizer que não possa ser tão bom. Tudo o que acontece é sempre pelo melhor. Até as coisas mais árduas nos conduzem a algo melhor. Não é possível andarmos para trás, caminhamos sempre em frente. Mas adorava que um dos próximos filmes fosse baseado numa história verídica, porque recebemos muitos relatos incríveis de pessoas que leram "O Segredo" e que mudaram as suas vidas. Farei tudo o que conseguir para ajudar mais pessoas.

Trailer de "O Segredo: Atreve-te a Sonhar":

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