Ela foi considerada a «rainha das comédias românticas» inteligentes de Hollywood, ou mesmo dos chamados «chick flicks», por ter escrito, e por vezes realizado, alguns dos exemplares mais emblemáticos do género nos últimos 30 anos, nomeadamente o trio
«Um Amor Inevitável»,
«Sintonia de Amor» e
«Você tem uma Mensagem».
Nora Ephron faleceu na noite de 26 de junho aos 71 anos, vítima de pneumonia, uma complicação decorrente leucemia mielóide aguda que lhe tinha sido diagnosticada em 2006.

Nascida em 1941 em Manhattan, filha de argumentistas, Ephron fez carreira no jornalismo e teve a sua primeira experiência de argumento ao ser convidado pelo seu segundo marido, Carl Bernstein, um dos jornalistas do «Washington Post» que reportou o caso «Watergate», para ajudar no guião de
«Os Homens do Presidente», o filme com
Robert Redford e
Dustin Hoffman que relatava a célebre investigação.

A partir daí começou a escrever para séries de televisão e conseguiu a primeira das suas três nomeações ao Óscar de Melhor Argumento logo pela sua estreia de corpo inteiro no cinema,
«Reacção em Cadeia», realizado por
Mike Nichols, um drama de denúncia sobre as represálias sofridas por uma mulher ao denunciar as deficientes condições de trabalho numa planta de plutónio, numa fita protagonizada por
Meryl Streep,
Kurt Russell e
Cher.

Entretanto, Ephron escrevera o romance «Heartburn», inspirado no seu tempestuoso casamento com Bernstein e num «affair» que este então tivera, e adaptou-o ao cinema noutro filme assinado por Mike Nichols,
«A Difícil Arte de Amar», com
Jack Nicholson e
Meryl Streep.

A sua entrada de rompante na comédia romântica dá-se em 1989 com o argumento de
«Um Amor Inevitável», realizado por
Rob Reiner e protagonizado por
Meg Ryan e
Billy Crystal. O filme valeu-lhe a segunda nomeação ao Óscar e redefiniu todo o género para o futuro, tornando-se uma das comédias mais elogiadas de sempre.

No cinema, Ephron não voltou a sair do registo de humor e continuou a partir daí a escrever comédias, estreando-se na realização em 1991 com
«Minha Mãe é um Problema!...», sobre uma mãe solteira que quer trabalhar em comédia «stand-up». Essa primeira tentativa foi um «flop», mas isso não sucedeu com a segunda, que foi um êxito brutal:
«A Sintonia do Amor», com
Tom Hanks e
Meg Ryan, que sedimentou a sua posição como a «rainha das comédias românticas».

O seu filme seguinte,
«Tarados de Todo», com
Steve Martin, voltou a não convencer, mas
«Michael» com
John Travolta como um anjo, voltou a ser um sólido êxito comercial. Seguiu-se em 1998 outro super-êxito,
«Você tem uma Mensagem», novamente com
Tom Hanks e
Meg Ryan.

No ano 2000 voltou à posição de argumentista com
«Linhas Cruzadas», realizado pela própria
Diane Keaton, dirigindo depois
«Lucky Numbers» e regressando à dupla condição de argumentista e realizadora com o desapontante
«Casei com uma Feiticeira».

O seu último filme marcou um regresso à sua melhor forma, valendo-lhe a terceira nomeação ao Óscar:
«Julie & Julia», com
Meryl Streep e
Amy Adams, centrado na figura de Julia Child mas narrado em duas linhas temporais distintas.

Nora Ephron, que também escreveu para teatro e produziu os próprios filmes, foi casada três vezes, com o escritor Dan Greenburg, com o jornalista Carl Bernstein, e com o escritor
Nicholas Pileggi, seu actual companheiro, argumentista de filmes como
«Tudo Bons Rapazes» e
«Casino».

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