O anúncio de que a vida do pianista chinês Lang Lang vai ser adaptada ao cinema por Ron Howard, vencedor do Óscar de Melhor Filme e Melhor Realização por "Uma Mente Brilhante" (2001), mereceu as críticas de Lulu Wang, a realizadora de "A Despedida".

Esse filme, muito elogiado no final do ano passado pelo delicado retrato sobre diferenças culturais, contava a história de uma jovem nascida na China e criada nos Estados Unidos (papel de Awkwafina), que regressava porque a sua adorada avó tinha poucas semanas de vida, algo que toda a família decidiu esconder-lhe.

Já o novo projeto baseia-se no livro "Journey of a Thousand Miles", uma "viagem de mil milhas" desde a infância de Lang Lang, no nordeste da China, até às principais salas de concerto a nível mundial. O pianista de 38 anos dará apoio como produtor executivo.

"Sonha em grande, trabalha duramente e acredita sempre em ti mesmo", disse Lang Lango, que acredita que o filme pode vir a inspirar jovens em todo o mundo a nunca se esquecerem de que "são totalmente únicos".

"A história de Lang Lang é de determinação, paixão, sacrifício e de força interior contra a adversidade", disseram Ron Howard e o produtor Brian Grazer, a propósito do pianista de origem chinesa, nascido em 1982, quando a Revolução Cultural dava lugar à estratégia "um regime, dois sistemas", do líder de Pequim Deng Xiaoping.

"Este filme é uma ponte entre duas culturas que partilham verdades universais sobre as dificuldades que atravessamos na procura de grandeza", acrescentaram.

Quem não está convencida que Ron Howard seja a pessoa indicada para construir essa "ponte" é Lulu Wang, que justifica essa posição com o facto da sua vida ter semelhanças com a de Lang.

"Enquanto pianista de formação clássica nascida na China, acredito que é impossível contar a história de Lang Lang sem uma compreensão íntima da cultura chinesa mais o impacto da Revolução Cultural em artistas e intelectuais mais os efeitos do imperialismo ocidental. Só estou a dizer", escreveu nas redes sociais.

"Não estou a dizer isto porque quero realizar este filme. Não quero. Só não penso que estes são os artistas para lidar com as especificidades culturais do nordeste da China, de onde é Lang Lang (e a minha família). Ou com o aspeto cultural da violência física na sua educação", continuou.

A realizadora também pergunta se não se aprendeu nada com "Mulan", referindo-se ao novo filme da Disney que está a ser um fracasso no gigante asiático e criticado por ter feito alterações à clássica história chinesa.

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