Em entrevista à edição de setembro da Vanity Fair, Michelle Williams falou pela primeira vez sobre a diferença de salários com o colega Mark Wahlberg para refilmar as cenas de "Todo o Dinheiro do Mundo".

Quando Kevin Spacey foi acusado de assédio de menores na grande onda de revelações de escândalos sexuais que envolveu Hollywood desde outubro de 2017, Ridley Scott decidiu filmar novamente as suas cenas no filme com Christopher Plummer e cumprir a data anunciada para a estreia nas salas de cinema.... seis semanas mais tarde.

Isso só foi possível com uma complexa coordenação de meios técnicos e artísticos, incluindo a disponibilidade das estrelas principais. O que constou na altura é que só Plummer e a equipa técnica receberam salários, mas a realidade foi muito diferente: Mark Wahlberg negociou um pagamento adicional de 1,5 milhões [1,25 milhões de euros], enquanto Michelle Williams recebeu... 80 dólares por dia [66,8 euros].

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Nada foi dito à atriz, que aceitara regressar por altruísmo, embora tanto ela como Wahlberg fossem representados pela mesma agência.

A notícia de uma diferença salarial surgiu num primeiro artigo do Washington Post de 28 de novembro, mas passou despercebida, ao contrário da mensagem publicada nas redes sociais na noite de 8 de janeiro por Jessica Chastain, uma das maiores ativistas pela igualdade salarial em Hollywood

"Ouvi dizer que ela ganhou 80 dólares por dia pelas refilmagens comparados com os MILHÕES dele. Alguém gostaria de clarificar? Espero realmente que, com tudo o que tem sido divulgado, ela tenha sido paga de forma justa. Ela é uma atriz brilhante e maravilhosa no filme".

Michelle Williams revelou agora à Vanity Fair que a mensagem "inocente" da amiga com quem trabalhou em 2004 numa peça foi deliberadamente calculada: ela sabia o que se estava a passar e pediu-lhe autorização após a cerimónia dos Globos de Ouro para abordar a diferença salarial com os seus mais de 700 mil seguidores.

Williams recorda que a sua resposta a Chastain foi "Sim, claro, vai em frente. Mas já foi divulgado e ninguém quis saber".

"O momento revelador é que a história foi divulgada e ninguém quis saber. Não chegou a lado nenhum. Foi como se nunca tivesse acontecido, o que apenas me confirmou que não há solução", reforçou à Vanity Fair.

Mas a mensagem de Chastain chamou a atenção de fãs, colegas... e da comunicação social.

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"Alastrou como fogo", explicou Williams sobre o impacto que transformou o que descreve como "uma humilhação privada" num "momento de viragem público" que gerou um debate cultural sobre as diferenças salariais não só em Hollywood, mas na sociedade americana.

A 11 de janeiro, o USA Today publicou outro artigo confirmando os valores das diferenças salariais e começou a sério a revolta em Hollywood.

Mark Wahlberg acabou por doar o seu salário adicional ao fundo jurídico do movimento "Time´s Up" em nome da colega e a agência que representava os dois atores acrescentou mais 500 mil dólares. O assunto foi comentado por Jimmy Kimmel no monólogo inicial da cerimónia dos Óscares.

Para surpresa de muitos em Hollywood, Williams não abandonou nem a agência nem o seu representante, Brent Morley, que diz ser alguém que ela "valoriza criativamente", acrescentando que acredita "em segundas oportunidades".

Wahlberg e Williams nunca falaram sobre o tema. Quando a Vanity Fair o contactou agora para ouvir a sua reação sobre o que aconteceu, um dos seus representantes deu uma resposta esclarecedora com direito a 'smile': "Acho que nenhum de nós nunca mais quer falar disso".

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