Após "La La Land", Damien Chazelle e Ryan Gosling unem esforços de novo, adaptando o livro "First Man: The Life of Neil A. Armstrong", de James R. Hansen.

"O Primeiro Homem na Lua" é um filme-missão que narra os acontecimentos no interior da NASA e da vida pessoal de Armstrong (Ryan Gosling), durante a operação Apollo 11.

Contrastando a intimidade e singularidade da família com o infinito do espaço, é um drama sobre um homem simples, onde o sacrifício e a resiliência são suportadas com um humor irónico e a seriedade de saber sarar as feridas, lado a lado com a esposa (Claire Foy).

Mas é também um "thriller" onde Chazelle procurou ser o mais autêntico possível, apresentando a loucura, o limite do erro e o ultrapassar das barreiras perigosas que na altura a tecnologia disponibilizava.

O filme tem assim um aspecto analógico, visceral, que nos faz testemunhar um feito incrível, lado a lado com o nosso estóico herói: dentro do "cockpit" e depois na vastidão do espaço, marcando a primeira pegada na lua.

Na interpretação, apoiados por nomes como Jason Clarke ou Corey Stoll, Claire Foy e Ryan Gosling são os Armstrong, a família que levou o homem à lua.

Claire Foy é Janet e carrega o peso da missão. Ela sabe que que Neil pode morrer a qualquer parafuso solto, e que o suporte da casa e da família estão nas suas mãos.

Ryan Gosling é calmo, minimalista, cerebral e um artesão de emoções, interpretando um homem preparado para levar tudo ao limite, até ao ponto de ruptura... e a seguir voltar a juntar as peças e construir de novo.

Chazelle prende a audiência dentro do "cockpit", procurando um sentimento de espanto e admiração, fazendo-nos viver de perto o impacto dos materiais, os nervos à flor da pele, a claustrofobia com o infinito do espaço ali ao lado.

Para tal, a sagacidade da equipa de fotografia e o "design" de produção é incrível. Miniaturas 3D e vários formatos foram usados para revelar uma estética mais documental do que um "biopic" moderno.

Com recurso a 16mm, o director de fotografia Linus Sandgren explora a intimidade da família, avança para os 35mm dando-nos o industrial da NASA e expande aos 65mm, com a imensidão da lua, num momento mágico para se ver no cinema, em IMAX.

Aí, usa também as câmaras Hasselblad, as mesmas que Aldrin e Armstrong usaram para tirar as fotografias icónicas, jogando com o encanto da nossa memória.

Assim, o detalhe e o íntimo presente no âmago de Armstrong não se perde e a sua representação da humanidade ecoa desde aquela primeira pegada, pelo universo fora.

"O Primeiro Homem na Lua" é a celebração do engenho da humanidade e um triunfo cinematográfico.

"O Primeiro Homem na Lua": nos cinemas a 18 de outubro.

Crítica: Daniel Antero

Saiba mais no site Cinemic.

Trailer:

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