A HISTÓRIA: Um grupo de estrelas da Broadway em maré de azar deixa uma vila do Indiana em polvorosa ao apoiar uma adolescente que quer ir ao baile de finalistas com a namorada.

"The Prom": disponível na Netflix a partir de 11 de dezembro.


Crítica: Filipa Moreno

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O que se espera de um filme de Ryan Murphy intitulado “The Prom”? Adolescentes aos saltos, a falar de temas fraturantes com a leveza da "Gen Z", envoltos em purpurinas.

É a fórmula mágica de Murphy que, depois séries como "Nip/Tuck", "Glee" e "American Horror Story" e com um contrato milionário com a Netflix na mão, quis e teve um elenco de luxo.

Aqui, juntou Meryl Streep, Nicole Kidman, James Corden e Andrew Rannells como estrelas da Broadway caídas em desgraça que procuram uma causa que restaure a sua boa imagem na imprensa e decidem ajudar Emma (Jo Ellen Pellman), uma adolescente que quer ir com a namorada (Ariana DeBose) ao baile de finalistas.

O trailer do filme aguça o apetite. Aqui há Broadway. Há uma rebeldia "a la 'Footloose'”. Há Meryl Streep. E isso chega? A verdade é que não.

Como musical, “The Prom” comete um erro fatal: as letras parecem ter sido feitas totalmente à parte das músicas. Os atores arrastam as vozes para preencher o tempo, desdobram-se em coreografias elaboradas, mas é tudo pouco. E não são as referências melancólicas à Broadway que salvam os números.

Como filme, há demasiadas coisas a acontecer. Cada estrela tem de ter o seu solo musical, o que arrasta a história por duas longas horas. Quando é que aparece a Nicole Kidman, que até está bastante expressiva, como eterna suplente de espetáculos de Bob Fosse? E lá vem ela, agitando "jazz hands" como quem espalha clichés.

Os atores são de luxo, mas não têm com que trabalhar. O que lhes sobra em lantejoulas, falta-lhes em direção.

E é James Corden quem acaba por pagar a fatura, talvez por ser o menos experimentado do elenco, talvez por lhe ter tocado um co-protagonista homossexual com demasiadas linhas narrativas: quer encontrar o amor, remendar as feridas do liceu e reatar relações com os pais.

No meio do desnorte, eis que se destacam a estreante Jo Ellen Pellman, com uma voz bonita que rivaliza com as dos colegas, e Ariana DeBose, que já leva o musical "Hamilton" no currículo.

Num filme que é visualmente bonito e socialmente relevante, queríamos o mesmo tom acutilante que Ryan Murphy deu à série “The Politician” (também para a Netflix), onde jovens adultos usam a água do banho para fazer café (com grande nojo) como vantagem política. E apesar das limitações que aqui revela, ele tem de continuar a fazer séries e filmes nos corredores dos liceus americanos porque a história de “The Prom” aconteceu mesmo em 2010. Ainda há demasiada realidade nesta ficção cheia de brilhos.

Mas não lhe perdoamos as letras preguiçosas e o desperdício de Meryl Streep.

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