Os três músicos encontraram-se em estúdio no ano passado, entre o Brasil e o Mali, para gravar as canções de «A Curva da Cintura» e só se voltam a juntar em palco esta semana, no primeiro dia do festival MED Loulé, no Algarve.

Antecipando este concerto, o primeiro de uma pequena digressão internacional, Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra explicaram à agência Lusa que este encontro com o tocador maliano Toumani Diabaté surgiu quase por acidente, «uma surpresa da vida».

Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra são dois nomes conhecidos do rock brasileiro, o primeiro por via dos Titãs, o segundo pelos Ira, ambos com uma carreira a solo, que se foi cruzando ao longo das últimas duas décadas.

Os dois tinham decidido gravar um disco, apenas com voz e violão, até que conheceram Toumani Diabaté, tocador de kora (um instrumento ancestral com 21 cordas), no festival Back2Black no Brasil.

«No primeiro ensaio 'rolou' uma magia, um encantamento, uma sintonia maravilhosa», descreveu Arnaldo Antunes, recordando que Toumani Diabaté os convidou para uma sessão de estúdio e uma viagem ao Mali.

Assim surgiu o disco «A Curva da Cintura», encontro entre África e Brasil, gravado entre São Paulo e Bamako, capital do Mali.

Com a «entrada do Toumani, a sonoridade que acrescentou no disco apontou para um caminho novo que o disco provavelmente não teria sem ele», explicou Edgard Scandurra, referindo que a sua base musical e a da Arnaldo Antunes «tem a música popular brasileira, mas tem muito do rock n'roll».

O que os surpreendeu foi a abertura de Toumani Diabaté «à musicalidade moderna», apesar de tocar um instrumento antigo, que passa de geração em geração, muito popular no Mali.

«Abriu uma possibilidade para criar um som que eu não consigo ver similiar. É uma novidade que a gente criou. A sonoridade da guitarra elétrica, com a kora e o balafon, criou um terceiro elemento que é uma música que a gente ainda precisa de definir o que é", disse Edgard Scandurra.

Sobre a temporada de gravações que passaram no Mali, na qual participou ainda Sidiki Diabaté, músico e filho do tocador de kora, Arnaldo Antunes falou de uma «experiência pessoal e musical».

«É um país que tem uma musicalidade muito viva. É um povo muito musical e muito doce. Foi uma experiência mágica», elogiou.

Em Loulé, os músicos vão apresentar temas como «Kaira», de Toumani Diabaté, sobre o poder da música, «Meu cabelo», uma versão de Arnaldo Antunes de um tema de Serge Gainsbourg, e «A Curva da Cintura», que dá nome ao disco que saiu esta semana em Portugal.

O Festival MED Loulé decorrerá na sexta-feira e no sábado e no cartaz figuram diversos artistas, como Cheik Lô, Boubacar Traoré, Jamaican Legends (com Sly & Robbie), Monty Alexander e Ernest Ranglin, e os portugueses Paus, You Can't Win Charliee Brown, Throes + The Shine, A Jigsaw, entre outros.

@SAPO com Lusa

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